Onze pessoas já foram ouvidas sobre a morte do engenheiro Flávio Rodrigues

De acordo com a Polícia Civil, as investigações em torno do caso foram iniciadas ainda na segunda-feira (30), após o corpo ser encontrado

Manaus – Onze pessoas já foram ouvidas no processo de investigação sobre o caso da morte do engenheiro elétrico Flávio Rodrigues dos Santos, 42, segundo afirmou o delegado titular do 19° Distrito Integrado de Polícia (DIP), Aldeney Góes, em entrevista coletiva, na tarde desta terça-feira (1°).

O corpo de Flávio Rodrigues dos Santos, 42, foi encontrado em um terreno, no Tarumã (Foto: Reprodução/Facebook)

O corpo do engenheiro foi encontrado, na tarde desta segunda-feira (30), em um terreno baldio, no bairro Tarumã, zona oeste da capital. Ele estava desaparecido desde a noite deste domingo (29), após participar de uma festa no Condomínio Passaredo, no bairro Ponta Negra, zona oeste de Manaus. A casa onde a festa aconteceu é de Alejandro Molina Valeiko, filho da primeira-dama do município, Elisabeth Valeiko Ribeiro.

Conforme o delegado, as investigações em torno do caso foram iniciadas ainda nesta segunda-feira, após o corpo ser encontrado. Algumas testemunhas chegaram a informar que o condomínio teria sido invadido por pessoas encapuzadas. Porém, a polícia começou a trabalhar com a linha de investigação de que a possível entrada desses suspeitos tenha sido autorizada.

“Nós já ouvimos cerca de onze pessoas. Ouvimos os narraram que havia ocorrido um roubo e que uma pessoa havia sido sequestrada. A invasão (ao condomínio) foi relatado pelas pessoas. Nós ouvimos, até agora, cinco seguranças e não encontramos indícios de que possa ter ocorrido uma invasão, mas pode ter ocorrido, também, um acesso autorizado. Então, nós começamos a trabalhar, agora, com essa hipótese”, disse.

De acordo com o delegado, nesta etapa do processo investigatório, “todos foram ouvidos como informantes do processo”. “Em um segundo momento, se houver conflitos ou indícios de autoria, todos serão chamados novamente e os que tiverem indício de autoria serão ouvidos, já na qualidade de investigados. Qualquer informação em relação a suspeitos, nesse momento, pode prejudicar e acabar gerando problemas na investigação”, acrescentou.

Circuito interno

Góes afirmou ainda que já foi realizada uma perícia na casa onde o crime possa ter iniciado. Em relação às imagens do circuito interno de segurança do condomínio, o delegado disse que a polícia tem trabalhado para tentar recuperar, pois o mesmo teria sido prejudicado após um temporal, dois dias antes do ocorrido.

“Nós solicitamos perícia para a casa. Se preciso for, faremos novas perícias. Nós ouvimos as pessoas e, tudo que é dito, é analisado. As imagens do local foram prejudicadas por uma tempestade. Nós estamos tratando de recuperar essas imagens”, afirmou.

Em relação ao filho da primeira-dama do município, Alejandro Molina Valeiko, o delegado afirmou que o mesmo já foi ouvido. Perguntado sobre as especulações de que Alejandro teria saído do Estado, Góes se pronunciou afirmando de que não há, até o momento, impedimento quanto a ele ou qualquer outra pessoa ouvida no processo de investigação.

“Ele foi ouvido aqui, assim como outras pessoas. Quanto a saída dele, não há uma restrição, por enquanto, nem quanto a ele, nem quanto a outras pessoas. Quando houver algum pedido em relação a alguém, pedido cautelar, ela será anunciando a pessoa e ela não poderá sair da cidade”, falou.

O advogado da família do engenheiro, Helder Silveira, falou com a reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC), na manhã desta terça-feira, e afirmou que eles ainda não haviam recebido nenhuma informação concreta em torno do caso, por parte do delegado, pois as testemunhas ainda estão sendo ouvidas.

“Tem muita especulação na rede social, mas nada passado pela autoridade policial, nem da família. Perguntei ao delegado sobre alguma possível prisão em flagrante ou preventiva, ele disse que ainda era muito cedo, pois antes estava sendo investigado um desaparecimento, um possível sequestro, e, de uma hora pra outra, passou a ser um homicídio, quando o corpo foi encontrado”, contou.

Pronunciamento do prefeito

Na manhã desta terça, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto se pronunciou, por meio de sua página no Facebook, sobre o caso, ressaltando que a residência de Alejandro foi invadida por dois homens até o momento não identificados e encapuzados.

“Minha esposa entrou em desespero quando soube que gente sem caráter tentava fazer crer que seu filho teria matado Flávio. Maldade indescritível. Alejandro saiu ferido pela truculência dos invasores e, quando o vimos, seu estado era lamentável: ferido, abatido, com medo de ser morto por tipos parecidos com os que levaram seu amigo, outra vítima das drogas, que se espalham como praga, muitas vezes perto da gente”, escreveu.

Arthur falou, ainda, que Alejandro é dependente químico e que espera que os assassinos de Flávio sejam encontrados. “Que os assassinos de Flávio sejam logo presos e levados a julgamento. Manaus merece paz e verdade. Jamais mentiras e terror”, finalizou.

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