Operação desarticula organização criminosa por fraude de R$ 30 milhões em impostos

São cumpridos 83 mandados de prisão, busca e apreensão em Manaus e no interior

Manaus – Uma operação integrada desarticulou, na manhã desta quarta-feira(02), uma organização criminosa responsável por fraudar mais de R$ 30 milhões em impostos estaduais e federais no Amazonas. A operação “Sanguessuga” prendeu 25 pessoas, e também pediu o sequestro de 35 veículos. Foram cumpridos 83 mandados de prisão, busca e apreensão em Manaus e no interior. A operação é realizada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), Polícia Civil, Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) e Polícia Militar deflagram.

(Fotos: Erlon Rodrigues/PC-AM)

Mais de 300 agentes da Polícia Militar, Polícia Civil, Detran-AM e SSP-AM estão à procura dos alvos dos mandados prisionais. O secretário de Segurança, Coronel Louismar Bonates, está no comando operacional ao lado da Delegada-Geral da Polícia Civil, Emília Ferraz, do Comandante-Geral da Polícia Militar, Coronel Ayrton Norte, do diretor do Detran-AM, Rodrigo de Sá, e do titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos, delegado Cícero Túlio.

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(Fotos: Erlon Rodrigues/PC-AM)

Dos 25 presos, um deles, é filho de um dos suspeito e foi identificado como traficante de drogas, sendo preso em flagrante pela comercialização de entorpecentes. no total, com os suspeitos, foram apreendidos no total de R$ 100 mil em espécie, 15 veículos, duas armas de fogo, três quilos de entorpecentes, mais de 30 computadores e documentos, 700 doses de LCD, que equivalem a R$ 49 mil reais, além de 50 balas de ecstasy.

Entre os alvos da operação, estão despachantes documentalistas, servidores do Detran, estagiários e ex-estagiários do órgão. Aliciados pelos despachantes, eles recebiam propina mensal de R$ 5 mil para participar do esquema, segundo a investigação. Dos alvos, 16 são despachantes documentalistas, um vistoriador, sete servidores do Detran, um ex-servidor, três ex-estagiários e um estagiário.

As investigações da operação Sanguessuga iniciaram há mais de um pela Delegacia Especializada em Roubos, Furtos de veículos (Derfv), com apoio do Departamento de trânsito do Amazonas (Detran-AM). Os trabalhos começaram a partir da identificação, pelo Departamento de Trânsito, movimentações suspeitas no sistema de registro de veículos.

As investigações comprovaram a existência de uma estrutura criminosa voltada à sonegação de tributos estaduais e federais. Esse grupo fraudou algo em torno de R$ 30 milhões em sonegação de impostos como ICMS, IPI e lucro cessante do IPVA.

A quadrilha estava fraudando a emissão de Certificado de Registro de Veículo (CRV) e Certificado de Registro de Licenciamento de Veículo (CRLV), que deviam circular exclusivamente na Zona Franca de Manaus, mas estavam deixando o estado sem o recolhimento de tributos. Os veículos eram revendidos para outros estados, com preços inferiores. Foram comercializados veículos para o Pará, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

“A investigação comprovou que o esquema conseguia também emitir segundas vias de documentos CRV a fim de ‘esquentar’ veículos roubados e clonados, ou seja, eles clandestinamente auxiliavam quadrilhas que roubavam e clonavam veículos com a emissão de documentos para esses veículos trafegarem livremente”, destacou o delegado Cícero Túlio.

A investigação durou cerca de um ano onde segundo o delgado titular da Derfv, escutas telefônicas captadas foram essenciais para realizar as prisões. “Trabalhamos também com agentes infiltrados para proporcionaro êxito e provas conviventes para a finalização. Haverá um desdobramento deste caso. Tudo será compartilhado com a Polícia Federal, já que há indícios de receitas que não geraram receita para a união”, completou.

Os membros da organização criminosa vão responder por seis crimes diferentes. Associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, tráfico de influência, inserção de dados falsos em sistema de informação e crimes contra a ordem tributária.

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