‘Peço perdão à família da vítima’, diz Gustavo Sotero

O terceiro dia do julgamento do Caso Sotero foi marcado pelo depoimento do delegado acusado de cometer homicídio contra o advogado Wilson Justo Filho

Manaus – “Eu peço perdão a toda a família da vítima”, disse o delegado de polícia Gustavo de Castro Sotero, durante o seu interrogatório, nesta sexta-feira (29). Ele responde a um processo por homicídio contra o advogado Wilson Justo Filho, ocorrido em 25 de novembro de 2017, em uma casa noturna, na zona oeste da cidade.

(Foto: Raphael Alves/Divulgação)

“Peço perdão à família da Fabíola, do Wilson, do Maurício e do Yuri. Aquilo foi tragédia pra mim, pra eles, pra minha família. Eu não queria que isso tivesse acontecido. Minha vida foi por água abaixo”, completou.

Ao longo de toda a oitiva, o delegado reafirmou que disparou os tiros para tentar se defender da agressão feita pelo advogado, e que agiu de forma instintiva. “Eu precisava me defender, precisava me manter vivo”, afirmou.

Após levar um soco no rosto, o réu falou que caiu no chão e levantou com a ajuda de algumas pessoas que estavam ao redor. Sotero contou que, em seguida, ele chegou a dizer “Para! Polícia!”, com a intenção de conter as ações de Wilson, e que, posteriormente, puxou a arma, achando que o advogado iria se render. “Ele corre pra cima de mim, tenta bater na minha arma, e eu empurro ele”, completou.

Sotero disse, ainda, que toda a situação envolvendo os disparos foi muito rápida. Segundo o delegado, ele não conhecia nenhum dos envolvidos e que não havia notado a presença deles no local.

Após o ocorrido, ele relatou que saiu do local pela porta de emergência, falou com um segurança da casa noturna, quando foi informado que a Polícia Militar estava a caminho do local e que ele precisava ir a uma delegacia prestar esclarecimentos. Sotero contou que chegou a se sentir hostilizado, na área externa do estabelecimento, pois algumas pessoas chegaram a dizer “Pega ele! Mata ele!”.

Por volta das 13h, foi dado um recesso de 30 minutos ao julgamento. Antes da pausa, o réu declarou: “Eu tô muito arrependido, consternado e triste. Aquilo que aconteceu, não pode acontece com ninguém. Eu peço que vocês julguem com justiça”.

Desentendimento entre as partes

Embates e discussões marcaram, mais uma vez, o julgamento. O promotor de justiça George Pestana, representante do Ministério Público do Amazonas (MPE), ameaçou deixar o plenário, após ter sido interrompido, por diversas vezes, pelo advogado de defesa do réu, Cláudio Dalledone Júnior.

“Toda vez que eu vou perguntar alguma coisa que dói na defesa, a defesa me interrompe. Sempre que eu pergunto sobre a noite do crime, para esclarecer os fatos, a defesa me interrompe. Desse jeito eu não vou continuar”, declarou.

Dalledone alegou que Pestana estava repetindo sempre as mesmas perguntas, desnecessariamente. O juiz titular da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri, Celso de Paula, interferiu na discussão entre as partes e pediu que as perguntas fossem feitas de maneira objetiva.

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