Presa quadrilha que falsificava documentos para aluguel e venda de carros, em Manaus

Ao todo, 16 pessoas foram presas durante a operação ‘Estelião’. Os carros alugados eram, posteriormente, vendidos em outros estados por valores abaixo do mercado

Manaus – Dezesseis pessoas foram presas, durante a operação ‘Estelião’, suspeitas de integrarem uma organização criminosa que falsificava documentos, como Registro Geral (RG) e cartão de crédito, para alugar carros que posteriormente eram vendidos, em outros estados, a valores abaixo do mercado. Os veículos também eram repassados para facções criminosas relacionadas ao tráfico de drogas. As prisões dos suspeitos iniciaram na última sexta-feira (15) e finalizaram na manhã desta quarta-feira (20), em diversos bairros da capital.

Foram presos William Rocha Bezerra, 30, o ‘Sobrancelha’, e Manoel Franco de Melo Filho, 65, o ‘Manoelzinho’, ambos apontados como líderes do grupo criminoso; além de Tarcísio da Silva Tavares, 27, Lucas Pereira Ferreira, 29, Leonardo Carvalho Rocha Sant’Ana, 33, Anoel Santos de Jesus, 37, Wanderson de Souza Bentes, 42, o ‘Jeguerê’, Ronaldo Borges da Silva, de idade não divulgada, o funcionário de uma loja de departamentos José Antônio dos Santos Lima, 28, o analista de crédito de uma instituição financeira Janderson Machado Dourado, 28, Rebeca da Silva Vieira, 31, Acássio Borges dos Santos, 32, Waldecy de Souza Castro, 32, Josimar Lima, 56, o gerente de banco Hosana Santiago de Menezes, 57, o ‘Santiago’, e Manoel David Miranda de Melo, 27, filho de ‘Manoelzinho’, que foi indiciado e liberado para responder ao processo em liberdade.

De acordo com o delegado titular da Delegacia Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (Derfv), Cícero Túlio, pelo menos seis locadoras de veículos, na capital, foram vítimas do grupo criminoso. A quadrilha já estava sendo investigada há seis meses e, neste período, cerca de 80 veículos foram desviados.

Segundo o delegado, a maior parte dos veículos foi destinada ao Pará. Porém, um veículo foi localizado em Palmas (TO), com uma grande quantidade de entorpecentes. Outra parte dos veículos era repassada para integrantes de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas, que utilizavam os carros para enviar entorpecentes a outros estados.
“Estes veículos eram encaminhados para organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas, assim como, também, eram revendidos por preços muito abaixo do mercado, para que fossem encaminhados para outros estados”, disse o delegado.

Túlio explicou que a organização criminosa era divida em três núcleos: administrativo, financeiro e operacional. “O núcleo administrativo era responsável por determinadas ações da quadrilha; o operacional era responsável por fazer as locações dos veículos, enquanto o núcleo financeiro era responsável por emitir cartões de créditos e realizar empréstimos”, explicou.

O titular da Derfv afirmou que ‘Santiago’, gerente de uma agência do Banco do Brasil, no Centro da cidade, era o responsável por repassar informações sigilosas do sistema do banco, para que fossem utilizadas na falsificação dos documentos. Parte da quadrilha atuava em setores de ‘Achados e Perdidos’ de instituições públicas e privadas. Eles furtavam Registros Gerais (RGs) e faziam consultas, junto ao gerente do banco, que passava ‘o potencial’ de algumas dessas identidades.

“Com base nessa seleção, essas identidades eram falsificadas e eram inseridas informações específicas do banco e ficava fácil a emissão de cartões de crédito, junto a um funcionário de uma instituição (financeira). Com esses cartões de créditos, eles conseguiam fazer as locações dos veículos, encaminhavam os veículos e vendiam para outros estados”, afirmou.

Conforme Túlio, ‘Manoelzinho’, apontado como um dos líderes do grupo, atuava no núcleo administrativo. Ele era responsável por fazer todo o procedimento de falsificação e o contato com o gerente do banco. William, que também é apontado como um dos líderes da quadrilha, era o responsável por manter contato entre o gerente do banco e outras instituições financeiras para que pudessem facilitar a emissão de cartões de créditos e na concessão de empréstimos. “O William já é um velho conhecido da polícia, diversas delegacias já investigam a participam dele em dezenas de outros estelionatos”, acrescentou.

Os 16 suspeitos foram indiciados pelos crimes de estelionato, organização criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso e falsificação de documento público. Um membro da quadrilha, de nome não divulgado, encontra-se foragido. Ele já foi identificado e o mandado de prisão já foi expedido, conforme o delegado Cícero Túlio.

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