Sargento atira em vizinho por causa de ‘cocô’ de cachorro na calçada

O policial se irritou por causa das fezes dos dois cachorros da raça chow-chow da vítima que estavam em frente à casa da sogra dele. Homem pode ficar sem o braço esquerdo

Manaus – O cocô de um cachorro de estimação foi motivo suficiente para uma briga com arma de fogo no sábado (19), no bairro Nova Esperança, zona oeste de Manaus. A suspeita é de que um sargento da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM) tenha atirado com uma pistola PT 40 no autônomo Edimar de Souza, 36, que pode ficar sem o braço esquerdo.

O policial se irritou por causa das fezes dos dois cachorros da raça chow-chow de Edimar que estavam em frente à casa da sogra dele e disparou contra o autônomo que foi socorrido pelo pai de 57 anos. Edimar foi levado para o Serviço de Pronto-Atendimento (SPA) da Alvorada, mas por conta da gravidade dos ferimentos foi transferido para o Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, zona centro-sul, onde ainda está internado.

O policial se irritou por causa das fezes dos dois cachorros da raça chow-chow de Edimar que estavam em frente à casa da sogra dele. (Foto: Sandro Pereira/RDC)

De acordo com a mulher da vítima, a dona de casa Aliane Firmino, 29, Edimar foi ferido no braço esquerdo e aguarda uma segunda cirurgia. “O osso quebrou e o médico disse que não tem a placa para o braço dele e, que se demorar muito, ele terá que ser amputado”, contou. Os familiares afirmam que o único hospital com condições para a cirurgia é o Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, na zona leste, e que aguardam a autorização para o procedimento. Edimar é pai de quatro filhos e mora há 28 anos no mesmo local.

O próprio Edimar conversou com a reportagem da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) por telefone e contou que no sábado pela manhã, em torno de 9h40, depois de comprar e deixar o pão e o café para a família, na casa do pai, estava dobrando a rua a caminho de um serviço em um local próximo, quando foi abordado pelo sargento. “Ele foi me perguntando se eu o conhecia e porque eu tinha deixado o cachorro fazer cocô na frente da casa da sogra dele. Depois mandou eu levantar os braços e disse que só não me matava porque conhecia minha família. Mandou eu virar as costas e atirou no meu braço”, contou a vítima. Após o tiro, Edimar pediu a ajuda do pai que trabalhava em casa.

O autônomo contou ainda que o caso foi registrado pelas câmeras de uma casa da rua, mas que o morador não quer entregar as imagens.

O fato aconteceu na Rua Monte Serrat, no bairro Nova Esperança, zona oeste da capital. A família contou que prestou queixa e registrou Boletim de Ocorrência (B.O) no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), e que vai solicitar ajuda da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE) para denunciar o caso à Corregedoria da Polícia Militar.

O sargento foi identificado apenas como Jailson. A reportagem foi até o 19º DIP, mas não conseguiu acesso ao B.O.

A PM-AM emitiu nota sobre o caso afirmando que está acompanhando e, “se comprovado excesso, adotará as medidas necessárias. O sargento envolvido vai se apresentar espontaneamente à Polícia Civil e dará a versão dele sobre os fatos”.

O fato aconteceu na Rua Monte Serrat, no bairro Nova Esperança, zona oeste da capital. (Foto: Sandro Pereira/RDC)

Assustados

Os familiares e vizinhos contaram que estão assustados e se sentindo ameaçados desde que o caso foi denunciado. Segundo uma dona de casa, que não quis se identificar, uma viatura sem placa passou na noite de sábado com policiais intimidando amigos da vítima. “Eles encostaram os rapazes na parede e colocaram armas nos rostos deles”, disse a moradora.

Outros vizinhos também denunciaram a conduta irregular do sargento. “Ele está sempre apontando a arma para os moradores da rua, até para as crianças. Eu mesmo já presenciei ele ameaçar dar um tiro na cara de uma moradora só porque ela estava demorando para guardar o carro, mesmo ela estando com um bebê de três meses no veículo”, contou um vizinho, morador há 18 anos na rua.

Vários casos relatados dão conta de ameaças do sargento com arma de fogo a outros vizinhos. “Se alguém sentasse na calçada da casa da sogra dele, ele apontava a arma, até para a minha filha de três anos”, contou uma moradora.

Os moradores esperam justiça para o caso e que o policial responda pelos atos. “Já tivemos vizinhos policiais e nenhum deles era assim, pelo contrário, eram gentis e prestativos, mas esse sargento só ameaça e assusta”, afirmou um vizinho. “É revoltante saber que ele pode ficar impune com um comportamento totalmente contra a corporação, contra a própria lei”, disse.