Vendedora pode ter sido sequestrada em ramal do Compaj, diz família

Familiares de Andressa Castilho de Souza, que desapareceu há um mês, após visitar o marido no Compaj, tiveram acesso a imagens da área mas ainda não têm informações sobre o paradeiro da mulher

Manaus – Desaparecida no ramal que dá acesso ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista), em novembro de 2017, a vendedora de sucos Andressa Castilho de Souza, 22, pode ter entrado em um carro que a abordou no ramal enquanto ela caminhava em direção à rodovia. Um mês e cinco dias já se passaram do desaparecimento e família da mulher ainda não tem notícias do paradeiro dela.

Mulher desapareceu no ramal que dá acesso ao Compaj, em novembro deste ano, após visitar o marido na unidade (Foto: Divulgação/Família)

O pai de Andressa, o pastor evangélico Rilson Moraes de Souza, informou que teve acesso as imagens de câmeras que filmam o ramal. Segundo Rilson, Andressa estava caminhando no local, em direção à rodovia, quando parou atrás de um ônibus que estava estacionado na via.

Segundo Rilson, três homens saíram do setor onde funciona o regime semiaberto do Compaj, passaram pela lateral do ônibus e pararam no local. Em seguida, um carro estacionou próximo ao ônibus. E, depois disso, as imagens não mostram mais Andressa.

O carro passou cerca de quatro minutos estacionado no local. De lá, segundo Rilson, o veículo saiu “disparado” para fora do ramal. Os três homens, que o pastor acredita que sejam presidiários, saíram andando do ramal para pegar um ônibus fora da via, da BR-174. “A impressão que tenho é que ela (Andressa) foi colocada dentro desse carro”, disse o pastor evangélico.

Na manhã do dia 11 de dezembro do ano passado, uma equipe do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), da Polícia Civil (PC), encontrou uma bolsa de mulher, com um rolo de fita isolante dentro, e um pano com manchas que se assemelham a sangue, nas matas localizadas nos arredores do Compaj.

No dia 7 de dezembro de 2017, uma equipe da Companhia Independente de Policiamento com Cães (CIPCães) encontrou, na mesma mata, fio de cabelo, uma cama de palha e o cabo de um machado. Todos os objetos encontrados na mata, nos arredores do Compaj, foram encaminhados à perícia.

O pai da vendedora de sucos disse que ainda não recebeu nenhuma notícia sobre o paradeiro da filha e sobre os resultados do exame para constatar se o cabelo e os demais objetos encontrados são de Andressa. “A polícia diz só que está investigando”, disse Rilson.

Família recebeu informações sobre encontro de cadáver

Aflito por informações sobre Andressa, Rilson disse ter buscado informações sobre a filha no Instituto Médico Legal (IML) e que detentos e esposas de presidiários disseram, a ele, que um corpo foi encontrado nas matas próximas ao Compaj. “Não sei se estão esperando para identificar se é ela (Andressa) para poder divulgar”, afirmou.

O pai de Andressa acrescentou que a notícia de encontro do corpo feminino perto do Compaj não foi confirmado pela equipe do IML. O pastor evangélico disse, também, que a família de Andressa planeja fazer um ato de protesto, ainda na primeira quinzena de janeiro, para pressionar a polícia e obter mais informações sobre o paradeiro da mulher.

A reportagem questionou da PC uma previsão para conclusão dos exames de perícia com análise dos objetos encontrados nas matas nos arredores do Compaj. Também foi questionado qual o andamento das investigações acerca do desaparecimento de Andressa.

Em nota, via assessoria de imprensa, a PC informou apenas que “as informações (acerca do caso) não podem ser passadas para não atrapalhar o andamento das investigações”. Conforme a PC, equipes da Delegacia Especializada de Ordem Política e Social (Deops) e do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) continuam realizando buscas para explicar o desaparecimento.

Anúncio