Por mês, 21 motoristas são flagrados pelo Detran-AM em rachas em Manaus

Segundo o Detran, três vias da capital estão na preferência dos condutores que andam a mais de 100 km/h: Avenida das Torres, Avenida do Turismo e Avenida Coronel Teixeira (Ponta Negra)

Manaus – Todo mês, em média, 21 motoristas são flagrados em rachas, também conhecido como ‘pegas’, na capital. Os dados do Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) mostraram que, até outubro, 212 infrações das disputas automotivas em alta velocidade. Três vias da capital estão na preferência dos condutores que andam a mais de 100 quilômetros por hora: Avenida das Torres, Avenida do Turismo e Avenida Coronel Teixeira (Ponta Negra) estão entra as vias com maior número de flagrantes, conforme informou o Detran.

Avenida Coronel Teixeira, na Ponta Negra, é uma das favoritas para a prática de rachas, em Manaus. Foto: Arlesson Sicsú/Arquivo (15/6/2010)

Entre as consequências do racha estão as punições administrativas e as criminais, de acordo com o diretor técnico do Detran, delegado Rodrigo de Sá. Mesmo com a multa, no entanto, a fiscalização efetiva é que surte maior efeito, na avaliação de Sá. “Já ocorreram situações dessas, muitas vezes, não pelo valor da multa, mas realmente pela fiscalização é que essas práticas é inibida”, afirmou ele.

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) afirma que a disputa e a condução em alta velocidade rendem ao motorista a infração gravíssima, sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), uma multa de R$ 2.934,70, suspensão do direito de dirigir, recolhimento do documento de habilitação e apreensão do veículo.

A REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC) solicitou informações sobre o número de carteiras suspensas, mas o Detran-AM disse que não conseguiu obter os dados.

A reincidência destina uma punição ainda mais severa podendo ainda, aplicar multa em dobro em caso de reincidência registrada em menos 12 meses da infração anterior.

Dessa forma, de acordo com o Detran, basta o motorista participar de corrida não autorizada em via pública para que ele seja autuado. Desde 2014, a punição por reincidência ficou mais severa, com a aplicação do dobro da multa prevista, podendo chegar a R$ 5.869,40.

O popularmente chamado racha ou ‘pega’, a corrida não autorizada por autoridade competente em via pública também rende punições na esfera criminal. Mas a integração com os outros órgãos de segurança para atuar na criminalização e ainda no serviço de inteligência ainda não existe, segundo de Sá.

Casos

Na última segunda-feira (5), o lutador de jiu-jítsu Vladimir dos Reis Nato, 21, morreu após capotar várias vezes o carro que dirigia e colidir com uma árvore, na Avenida Governador José Lindoso (Avenida das Torres), no bairro Parque 10 de Novembro. De acordo com a Polícia Militar (PM), testemunhas informaram que a vítima estava praticando um racha.

De acordo com o diretor, já é de conhecimento do Detran que grupos de motoristas se reúnem para planejar o local da disputa. Até mesmo os aplicativos de conversas instantâneas são utilizados na organização da prática perigosa.

“Nesse que aconteceu nossa semana foi totalmente atípico, num dia atípico também, no meio da semana. Mas nós costumamos ir onde sabemos que são os pontos de encontro, ali na (Avenida) Timbiras”, disse.

Nas abordagens, o diretor afirmou que é comum encontrar veículos com alterações no modelo não autorizadas pelo Detran-AM, além de irregularidades nas documentações. “Licenciamento atrasado, rebaixamento ou suspensão alta sem que tenha sido regularizado. A fiscalização acontece, mas em muitas situações estamos numa faixa da via e do outro lado da rua passam veículos fazendo racha. Conseguimos inclusive alcançar o condutor, com o auxílio da Polícia Militar”, garantiu.

Indenizações por mortes no trânsito crescem 24%, no Estado

No primeiro semestre deste ano, no Amazonas, aumentou em 24% o número de indenizações por mortes no trânsito. De acordo com os dados dos Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), 244 famílias, até junho deste ano, receberam a compensação financeira, enquanto no mesmo período do ano passado 180 pessoas tiveram acesso ao benefício.

Já acidentes que deixaram motoristas, motociclistas e até mesmo pedestres com inválidez permanentemente, segundo o DPVAT, vitimaram 2.019 pessoas neste primeiro semestre. Cerca de 11 por dia, no Estado. As indenizações deste tipo de acidente também cresceram 24% e registrou 392 casos a mais do que nos primeiros seis meses do ano passado, conforme informou o boletim.

Outro dado preocupante é o envolvimento de jovens em acidente de trânsito. De acordo com dados revelados pela Seguradora Líder, responsável pelo DPVAT, em 2016 e 2017, 1.099 jovens de Manaus receberam o DPVAT por terem sido vítimas de acidentes de trânsito.

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