Prefeitura de Manaus destinará quase R$ 16 milhões/ano para assistência a venezuelanos

A Prefeitura de Manaus estima gastar quase R$ 16 milhões por ano para manter os 180 refugiados venezuelanos mais os 148 indígenas Warao que já estão na capital amazonense

Manaus – A Prefeitura de Manaus estima gastar quase R$ 16 milhões por ano para manter os 180 refugiados venezuelanos mais os 148 indígenas Warao que já estão na capital amazonense. A informação foi dada durante coletiva, na tarde desta sexta-feira (23). O prefeito de Manaus, Arthur Neto, afirmou que vai necessitar de ajuda do Governo Federal e do Governo do Estado do Amazonas para traçar metas para as medidas de assistência emergencial.

A Prefeitura de Manaus estima gastar quase R$ 16 milhões por ano para manter os 180 refugiados venezuelanos. (Foto: Márcio James/Semcom)

Os 180 venezuelanos deverão chegar em Manaus em março deste ano. “É muito difícil fazer planos em cima de incertezas, precisamos dividir as responsabilidades e juntar as forças de inteligência do Governo Federal e do Estado, para podermos calcular o impacto e fazer planos. Da última vez, empurraram as obrigações com recursos para a Prefeitura. O Governo Federal não cumpriu a sua parte, prometeu R$ 1,2 milhões, que são insuficientes, no qual ainda ficou devendo R$ 480 mil”, disse o prefeito.

O titular da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), Elias Emanuel, explica que para manter os 180 refugiados que vão chegar, mais os 148 indígenas Warao que já se encontram na cidade, serão gastos quase R$ 16 milhões por ano.

“O Governo Federal não pode simplesmente mandar as pessoas para cá sem prever um impacto que a presença delas vai causar no nosso meio. Teremos impacto na Educação, na Saúde e no Trabalho. Esperamos que o Governo Federal tenha a consciência de nos ajudar. Precisamos contratar o fornecimento de alimentação, material de higiene, psicólogos, assistentes sociais e cuidadores”, comentou.

Durante a coletiva, o prefeito de Manaus explicou que é necessário que os Governos Federal e Estadual assumam um compromisso com a chegada dos venezuelanos. “Precisamos da ajuda de todos. Entendemos que o fardo é muito pesado, mesmo os três caminhando juntos, e não um empurrando o dever para o outro.
Eu tenho um povo para governar e precisamos estar preparados para receber os contingentes de fora”, relatou.

A Prefeitura de Manaus informou que atualmente atende 148 indígenas venezuelanos da etnia Warao, distribuídos em três casas de acolhimento. Eles recebem acompanhamento médico e cerca de 27 crianças já foram matriculadas em escolas do município.

Amazonas e São Paulo serão os primeiros Estados a receberem refugiados venezuelanos que estão abrigados em Roraima. A informação foi confirmada pela subchefe de Articulação e Monitoramento da Casa Civil, Natalia Marcassa de Souza, na tarde desta quarta-feira (21), em coletiva no Palácio do Planalto, em Brasília. A expectativa é que São Paulo receba cerca de 350 refugiados e o Amazonas 180.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o Comitê Federal de Assistência Emergencial que trata da crise dos refugiados venezuelanos deve custar aos cofres públicos inicialmente R$ 70 milhões e que uma das primeiras ações deve ser a construção de dois abrigos – um em Boa Vista e um em Pacaraima – para que seja feita a triagem dos refugiados. Segundo ele, é preciso vencer “essa invasão”.

O ministro informou ainda que o processo de interiorização dos venezuelanos – ou seja, a transferência de refugiados para outros Estados – deve começar a acontecer num prazo de até 15 dias. Padilha disse ainda que a Casa Civil vai cuidar dos detalhes logísticos das operações, mas que o comando foi entregue ao Ministério da Defesa, “na pessoa do general de brigada, Eduardo Pazuello”.

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