Prefeitura vai acionar TRT e pedir ‘multas severas’ contra rodoviários e Sinetram

Após quatro horas de negociação entre os dois sindicatos, não houve acordo, porque, segundo o prefeito Arthur Neto, os dois sindicatos preferiram se “degladiar”

Manaus – O prefeito Arthur Neto confirmou, na noite desta quarta-feira (30), que a Prefeitura de Manaus vai ingressar com duas ações civis públicas no Tribunal Regional do Trabalho (TRT- 11), pedindo “multas severas” contra os sindicatos dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários de Manaus (STTRM) e das Empresas de Transportes de Passageiros do Amazonas (Sinetram), por não entrarem em acordo para pôr fim à greve dos rodoviários.

Arthur Neto disse que ia cumprir a afirmação de acionar a Justiça do Trabalho, mas acrescentou que a Prefeitura está aberta para aceitar o que for definido entre as partes. (Foto: Mário Oliveira/Semcom)

Após quatro horas de negociação entre os dois sindicatos, não houve acordo, porque, segundo Arthur, os dois sindicatos preferiram se “degladiar”. “Eu não consegui ver dois setores da sociedade civil, dois setores importantíssimos para Manaus, dois setores fundamentais, rodoviários e empresários. Não consegui ver os dois se entendendo”, criticou o prefeito.

Neste segundo dia de negociações, intermediadas pelo prefeito Arthur Neto, os rodoviários, representados pelo presidente da categoria, Givancir Oliveira, exigiram 6,5% de reajuste salarial, referentes aos dissídios coletivos 2018/2019 e 2017, com retroativo, ou que o Sinetram pague os 3% de reajuste 2018/2019.

O presidente do Sinetram, Algacir Gurgacz, informou que o sindicato aceitou dar os 6,5% de reajuste, mas pediu um prazo (para os meses de julho e agosto deste ano) para começar a pagar, o que foi recusado pelos rodoviários. “O problema é ter a responsabilidade de assumir um compromisso e poder pagar. Esse é o grande problema, hoje, das empresas”, disse Gurgacz.

Durante a negociação, o presidente do STTRM, Givancir Oliveira, deixou a sala por duas vezes e confirmou que a greve vai seguir por tempo indeterminado. “A pedido do prefeito, eu voltei para tentar negociar, mas o Sinetram se mostrou indisposto a negociar, não se preocupando com a cidade de Manaus e com os trabalhadores, e se recusou a dar nosso aumento de reajuste salarial”, disse.

Arthur Neto disse que ia cumprir a afirmação de acionar a Justiça do Trabalho, mas acrescentou que a Prefeitura está aberta para aceitar o que for definido pelos rodoviários e os empresários para que a greve acabe.

Nesta quarta-feira, cerca de 800 coletivos, 70% do total da frota de ônibus, circularam por Manaus, segundo o Sinetram. De acordo com o presidente do sindicato dos rodoviários, apenas 30% dos ônibus vão circular pela capital nesta quinta-feira (31).

Confira, na íntegra, a nota oficial da Prefeitura sobre a greve:

NOTA OFICIAL

“A Prefeitura de Manaus informa que, mesmo com a mediação do prefeito Arthur Virgílio Neto e do vice-prefeito Marcos Rotta, rodoviários e empresários não entraram em consenso para o fim da greve do transporte coletivo em Manaus. Foram mais de 26 horas na mesa de negociação mediada pelo Executivo Municipal e por técnicos da prefeitura, com objetivo de minimizar os danos aos manauaras e por fim à paralisação que prejudica a economia e o bem-estar da cidade.

Como consequência do impasse, a Prefeitura de Manaus vai recorrer à Justiça e ingressará com duas Ações Civis Públicas contra o Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Rodoviário de Manaus (STTRM) e o Sindicato das Empresas do Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) cobrando pesadas multas e obrigando as instituições a assumirem seus compromissos com a cidade e com suas atividades-fim no sistema de transporte coletivo na capital.

Reiterando seu compromisso precípuo com os interesses da população e mesmo com a adoção das medidas judiciais, a Prefeitura de Manaus mantém-se à disposição das instituições para que o diálogo e o bom senso prevaleçam em benefício dos manauaras.

Manaus, 30 de maio de 2018

Prefeitura Municipal de Manaus”

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