Professores da Seduc decidem iniciar greve geral na quinta-feira

Dentre as reivindicações, os profissionais pedem 35% de reajuste, sendo 30% de reposição da inflação referente ao período de abril de 2014 a março de 2018, e 5% de ganho real

Manaus – Professores da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) decretaram comando de greve para toda a categoria, durante assembleia geral realizada, na tarde desta sexta-feira (16), na Praça da Polícia, no Centro de Manaus. De acordo com o presidente da Associação dos Professores de Manaus (Assprom), Lambert Melo, a greve será deflagrada na próxima quinta-feira (22).

Professores da Seduc decidem iniciar greve geral na próxima quinta-feira (Foto: Sofia Lorrane/Divulgação)

Os profissionais pedem 35% de reajuste, sendo 30% de reposição da inflação referente ao período de abril de 2014 a março de 2018, e 5% de ganho real. “Na próxima segunda-feira (19), pela manhã entregaremos o documento na sede da Seduc informando que a categoria deflagrou greve. Quase quatro mil professores votaram e aprovaram a greve. Com o comando de greve assumimos o risco de pegar falta nos dia 19, 20 e 21 de março, para ir às escolas avisar os professores que não vieram para a assembleia que a greve foi deflagrado e se instalara a partir do dia 22 de março”, disse.

Lambert ressaltou que a greve não é somente na capital. “A decisão vai ser seguida por outros municípios do interior. Alguns estiveram presentes na assembleia como Manacapuru, Iranduba e Itacoatiara, mas nós já temos a confiança de que mais de 15 municípios irão instaurar greve juntamente com a capital”, informou.

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Os servidores da educação também querem os 40% do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além da revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), que está abaixo da média há quatro anos.

Durante a assembleia, professores e alunos manifestaram com cartazes e placas, pedindo que as solicitações feitas pelos servidores sejam atendidas. Segundo a professora Jane Costa Silva, 42, toda a categoria está insatisfeita. “Somos muito desvalorizados, são quatro anos sem reajuste. Precisamos de dignidade e vamos lutar pelos nossos direitos. Queremos respeito por parte dos nossos governantes”, explicou.

A professora Marcela Rayane da Conceição Gomes, 27, conta que, além do reajuste, os professores passam por problemas de infraestrutura nas escolas. “Chegamos a esse ponto porque estamos muito insatisfeitos com o nosso local de trabalho. O governo não atende às necessidades da educação, estamos com as salas super lotadas, às vezes não tem material e isso fere a dignidade profissional”, reclamou a professora.

Estudantes da rede estadual de educação também participaram do ato. André Luiz Quintina Ferreira, de 17 anos, explica que os alunos estão do lado dos professores. “Estamos apoiando eles, porque são professores que estão trabalhando e não estão recebendo seus direitos. A gente vê a luta deles na sala de aula e nós como alunos queremos o melhor para a educação”, disse.

A estudante Teresa Regina Alves Barbosa, 17, afirma que os professores estão lutando pelos seus direitos. “O professor é uma profissão que forma outra profissões, então eles merecem muito mais do que o Estado propõe a eles. Quando a gente tem uma empatia e a consciência de que eles estão vindo para a rua lutar por um direito não vemos prejuízos só avanços”, explicou.

Até a publicação desta matéria, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) não havia se posicionado sobre o anúncio de greve da categoria.

***Matéria atualizada às 18h30, para acréscimo de informações.

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