Retorno das aulas presenciais é marcado pela baixa adesão dos estudantes

Pais e responsáveis dos alunos afirmam que o retorno “é muito arriscado” nesse momento de aumento no número de casos da Covid-19 em Manaus

Manaus – O retorno as aulas presenciais do Ensino Fundamental da rede estadual de ensino, na manhã desta quarta-feira (30), foi marcado pela baixa adesão dos alunos, se comparado ao retorno do Ensino Médio.

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) visitou duas escolas da zona oeste da capital: a Escola Estadual Liberalina Weill e a Escola Estadual Santo Antônio. Nos locais haviam totens e cartazes com orientações para prevenção da Covid-19.

Retorno as aulas presenciais do Ensino Fundamental da rede estadual de ensino foi marcado pela baixa adesão dos alunos (Foto: Natasha Pinto/Divulgação)

Entretanto, o que não se viu foram alunos para as aulas presenciais. Alguns pais passavam em frente das escolas e observavam a movimentação de longe.

O pai de uma aluna da E.E Santo Antônio, que não quis se identificar, admitiu que não sente segurança em mandar a filha para a escola. “É muito arriscado. Já que tem aula online, prefiro que fique em casa, que é mais seguro. Não confio que estão realmente cumprindo as normas”, disse.

Fiscalização

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) percorreu, na manhã desta quarta-feira (30), escolas para fiscalizar o cumprimento do protocolo sanitário da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) e observou que a adesão de alunos foi baixa. “Visitamos quatro escolas pela manhã. O que temos observado é que há poucos alunos. Os pais estão com medo de mandar seus filhos. Numa das escolas só havia dois alunos por turma. Nos primeiros dias de aula, o protocolo é cumprido à risca. No entanto, percebemos que isso não se mantém com o passar dos dias”, disse a presidente do Sinteam, Ana Cristina Rodrigues.

O medo dos pais enviarem os filhos à escola é tanto que a Seduc está convidando os mesmos a visitarem as unidades para verem o cumprimento do protocolo. “Se a adesão fosse boa, esse convite não existiria”, afirmou Ana Cristina.

Na última segunda-feira (28),o Sinteam ingressou na Justiça com uma ação civil pública pedindo o adiamento das aulas do Ensino Fundamental pelo fato de os casos e as internações por coronavírus terem voltado a crescer em Manaus.

O sindicato também espalhou outdoors na capital relatando o fechamento de bares e balneários, o trabalho remoto do legislativo, judiciário e a questionável reabertura de escolas nesse contexto de pandemia como forma de ‘conter’ o avanço da doença.

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