Samel denuncia banco e plano Adventista

Por meio de um vídeo, o diretor da Samel, Luís Alberto Nicolau, criticou a atuação do Hospital Adventista de Manaus pelo aumento abusivo dos preços e o Banco Bradesco que negou atendimento na Samel

Manaus – O diretor da Samel, Luís Alberto Nicolau, criticou a atuação do Hospital Adventista em Manaus, por aumentar, de forma abusiva, os preços durante a pandemia. Ele denunciou, ainda, o Banco Bradesco por “roubar” leitos de pessoas mais carentes, utilizando vagas dos hospitais de campanha na capital do Estado.

Em vídeo divulgado na última quinta-feira (7), o diretor Alberto Nicolau e o médico Daniel Fonseca apresentaram o balanço dos atendimentos de paciente com novo coronavírus, internados na unidade. Segundo o médico, atualmente, são 129 pacientes internados dentro das unidades.

“Tivemos 12 altas e infelizmente, tivemos quatro óbitos por coronavírus. Sendo eles, alguns confirmados e outros com todo o quadro clínico por coronavírus”, explicou Daniel Fonseca.

Dos quatro óbitos registrados pelo Samel, está o tio do diretor do hospital, Antônio Guerrero, que trabalhava há 20 anos na empresa. “Esse meu tio, que tinha plano de saúde da Samel, assim como todos os nossos funcionários, procurou muito tarde o hospital”, disse Nicolau.

O diretor da Samel enfatizou que a equipe médica e administrativa do hospital, têm visto que muitas pessoas estão procurando à unidade de saúde para atendimento tardio. “Reforço, o tratamento tem que ser precoce, com ventilação não invasiva e a ventilação por meio de entubação, como último recurso. Nós tentamos, com todos os nossos pacientes, utilizar todos os recursos tecnológicos possíveis, mas infelizmente, tem coisas que não estão no nosso comando, como esses quatro óbitos que registramos pela infecção do novo coronavírus.

O diretor do hospital, Luís Alberto Nicolau, criticou a atuação do Hospital Adventista de Manaus pelo aumento abusivo dos preços para atendimento e por declarar em entrevista, que suspendeu o atendimento de todos os planos de saúde. “Eles devem explicações para a população. O que é pior, eles são filantrópicos, deixam de recolher para a União e para o Estado, mais de R$ 50 milhões por ano”, declarou Luís Alberto Nicolau.

No vídeo, o diretor do hospital, faz uma denúncia sobre o Banco Bradesco que negou o atendimento na Samel, sabendo que Manaus não possuí leitos suficientes, e utiliza vagas nos hospitais de campanha. Ele afirmou, ainda, que o Banco Bradesco está utilizando os serviços dos hospitais de campanha para atender os pacientes com Covid-19.

Diretor da Samel diz que apoia a ação da Ordem dos Advogados do Brasil no Amazonas (OAB-AM) contra preços abusivos (Foto: Divulgação)

“Vocês estão roubando vaga de uma pessoa pobre. Vocês já exploram a população com juros exorbitantes. Vocês me procurem ou o prefeito, porque vocês vão ter que pagar as internações que estão fazendo. Porque o hospital de campanha não é credenciado SUS, vocês amanhã vão ter que acertar as contas. Faço essa denúncia, tenho provas e quero que o Ministério Público, a OAB e a sociedade, tome alguma providência sobre eles”, falou.

Investigado

O Hospital Adventista em Manaus está sendo investigado pela Câmara Municipal de Manaus (CMM) e pelo Procon do Amazonas pela prática de preços abusivos de consultas particulares para tratar pacientes com coronavírus. Em nota, o Hospital Adventista negou que tenha aumentado o preço das consultas e internações e explicou que os novos valores se referem a um pacote de tratamento para coronavírus, que inclui consultas, exames laboratoriais e de imagem “para agilizar o atendimento através do tratamento específico”.

Justiça determina que planos  atendam pacientes com Covid-19

Na última terça-feira (5), o juiz federal Ricardo A. de Sales, da 3ª Vara Federal Cível, determinou, que as empresas de plano de saúde do Amazonas não podem se negar a atender pacientes inadimplentes, em período de carência ou com sintomas do novo coronavírus (Covid-19), durante o período de pandemia. A decisão atende a uma Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB).

Na decisão, o magistrado determinou a imediata liberação para os “segurados dos planos de saúde, no que diz respeito ao procedimento/tratamento médico-hospitalar prescrito, independentemente do cumprimento do prazo de carência, salvo quanto a doenças preexistentes à celebração do contrato, devidamente comprovadas, no período que perdurar a pandemia de Covid-19 e quando atestada pelo médico responsável a situação de urgência ou emergência, em qualquer caso, e principalmente nos casos de contágio ou suspeita de contágio pelo novo coronavírus; se abstenham de suspender ou restringir o atendimento, em especial de urgência e emergência, dos beneficiários de planos de saúde conveniados à unidade hospitalar”.

Ainda no documento, ele pede que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que compreende as empresas Samel, Hapvida, Bradesco Saúde, Unimed Manaus, Fama Unimed Seguros Saúde, Amil, Sulamerica, Check-Up Hospital, Santa Júlia, Adventista de Manaus, Santo Alberto e Beneficente do Amazonas, sejam oficiadas para dar ciência da decisão e intimou, em caráter de urgência e por meio de oficial de Justiça, o cumprimento imediato da decisão.