Segunda onda de Covid está perto, alerta cientista do Amazonas

Segundo especialista, os novos casos estão chegando e não há imunidade de rebanho

Manaus – O cientista do Amazonas Lucas Ferrante, doutorando da pós-graduação em Biologia (Ecologia) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), fez um alerta de que a segunda onda de Covid-19 está chegando a Manaus e que não existe imunidade por rebanho. Além disso, o cientista afirma que quem contraiu Covid-19 pode se reinfectar após três meses. O artigo com a colaboração de sete cientistas foi publicado na sexta-feira (7) na renomada revista científica “Nature Medicine”.

Segundo o artigo de Lucas Ferrante, não existe imunidade de rebanho em Manaus. “Já está se formando uma segunda onda de Covid-19 para Manaus e para Amazônia e não é seguro retornar as atividades escolares. Inclusive, nós usamos os próprios dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), se nós fizermos uma análise retrospectiva, nesses últimos dez dias tem o dobro de casos dos últimos dez dias que antecederam a primeira onda em abril e maio”, explicou.

“Quem pegou pode voltar a se infectar após três meses”, alerta o pesquisador (Foto: Reuters/Bruno Kelly)

De acordo com o cientista, não é seguro reabrir as escolas e serviços não essenciais na capital amazonense. O artigo ainda aborda que a imunidade de rebanho não existe no Estado. “Isso só é adquirido quando 90 a 95% da população têm contato com a doença e mesmo assim sobre um cenário de uma vacina aplicada. Manaus não tem imunidade. Nós deveríamos estar fechando os comércios e não retornando as atividades escolares”, enfatiza.

Além disto, Lucas Ferrantes afirma que é possível uma reinfecção. “Quem pegou pode voltar a se infectar após três meses. A população de Manaus corre um grave risco. Os casos voltaram a crescer e estamos a frente de uma nova onda”, enfatizou.

Imunidade de rebanho

Imunidade coletiva ou imunidade de rebanho só é adquirida quando a população já está vacinada contra a doença e também, no contato com o vírus. Para os pesquisadores, o conceito é criado por imunologistas para calcular quantas pessoas numa população precisam estar imunes a um agente infeccioso para que não atinja indivíduos vulneráveis. Ou seja, quanto mais pessoas vacinadas, menos pessoas doentes, menos vírus circulando.

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