Segunda testemunha do caso Oscar Cardoso diz que sofreu coação durante depoimento

Mário Tabatinga foi apontado pela testemunha como responsável pela lavagem de dinheiro de uma facção criminosa, com a compra e revenda de veículos, segundo o MP. “O MP me usou”, disse testemunha

Manaus – A segunda testemunha ouvida no julgamento de João Pinto Carioca, o João Branco, e outros quatro réus, nesta sexta-feira, Wiliam Rocha Bezerra, disse em depoimento que as declarações feitas na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) e na Delegacia Geral foram dadas por meio de coação. Nos depoimentos lidos pelo Ministério Público do Estado, Mário Jorge Nobre de Albuquerque , o Mário Tabatinga foi apontado pela testemunha como responsável pela lavagem de dinheiro da facção criminosa conhecida como Família Do Norte (FDN), com a compra e revenda de veículos.

Segundo MP, testemunha afirmou que Mário Tabatinga era responsável pela lavagem de dinheiro da FDN (Foto: Sandro Pereira)

Segundo ele, que inicialmente deu testemunho confidencial e chegou a pedir para participar do Programa de Proteção à Testemunha (Provita), mas não entrou no programa, grande parte do que foi dito nos depoimentos à polícia não condiz com o que a testemunha declarou.

O interrogatório foi marcado pelo nervosismo de William nos questionamentos o promotor do Ministério Público do Estado, Edinaldo Medeiros.

“O Ministério Público me usou, me usou e agora está jogando fora”, afirmou a testemunha em depoimento. Em seguida, o promotor declarou: ” Quer me ameaçar, pode ameaçar que eu seguro”, respondeu Medeiros

O promotor informou que Wiliam apontou, nos depoimentos fornecidos à polícia, que ele foi responsável por passar o veículo pelo custo de R$ 10 mil a um traficante identificado como ‘Du’, e este repassou o Grand Siena branco usado no crime para um dos réus, Mário Tabatinga.

Segundo o promotor, um restaurante no banho do Miriti, na estrada para Manacapuru, era o local que João Branco e os ‘soldados do tráfico’ recebiam as drogas provenientes da Colômbia, juntamente com as armas.

Era no Sítio de Tabatinga, em Rio Preto da Eva, segundo o MP, que os traficantes da FDN se reuniam. Lá, segundo o MP, João Branco teria dito que vingaria o estupro da companheira, ocorrido durante uma operação comandada pelo delegado assassinado. A informação, segundo o MP, foi fornecida por William, mas a testemunha negou, novamente.

Durante a sessão de julgamento, William disse inúmeras vezes desconhecer os acusados, mas posteriormente dizia que os conhecia.

Entenda o caso

João Branco está preso no interior do Paraná e participa do julgamento por videoconferência (Foto: Divulgação)

De acordo com o inquérito policial, no dia 9 de março de 2014, por volta das 16h, no bairro de São Francisco, os acusados, de forma planejada, organizada e utilizando armas de fogo, participaram da morte de Oscar Cardoso Filho.

Segundo as investigações, o delegado Oscar Cardoso estava em uma banca de peixe conhecida como Banca do Marcelão, quando um veículo parou e os ocupantes, apontados como João Branco, Marcos Pará, Messias, Maresia e Marquinhos Eletricista, desceram e efetuaram vários disparos contra a vítima. Do local, foram recolhidas 22 cápsulas de pistola calibre 40 e 11 de pistola calibre 9 milímetros.

Com base no inquérito policial, o Ministério Público do Estado denunciou cinco pessoas envolvidas na execução do delegado. João Pinto Carioca, o João Branco, é o acusado de ser o principal mandante do crime.

O narcotraficante João Branco vai acompanhar o julgamento por videoconferência e dará seu depoimento direto da Penitenciária Federal de segurança máxima no município de Catanduvas, no Paraná.

Marcos Roberto Miranda da Silva, o Marcos Pará, preso na penitenciária de Mossoró, no Rio Grande do Norte, já chegou ao Fórum Henoch Reis, no Aleixo, para acompanhar o julgamento. O suspeito veio escoltado pela Polícia Federal (PF) para depor presencialmente no julgamento.

Ainda serão julgados o empresário Mário Jorge Nobre Albuquerque, Mário Tabatinga; Messias Maia Sodré e Diego Bruno de Souza Moldes.

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