Seis testemunhas de acusação são ouvidas no ‘Caso Flávio’

A audiência acontece após quase dois anos após o crime e adiamentos

Manaus – Após quase dois anos, a primeira  audiência de instrução do ‘Caso Flávio’ foi realizada nesta terça-feira, 27.  Seis testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) foram ouvidas. Ao todo, oito vítimas foram indicadas, uma sétima será ouvida amanhã (28) e a outra foi dispensada pelo MPE-AM.

(Foto: Raphael Alves / Tjam)

Conduzida pelo juiz da 1.ª Vara do Júri, Celso Souza de Paula, a audiência aconteceu no Fórum Ministro Henoch Reis, no Aleixo, zona centro-sul, nesta terça-feira (27).

“Hoje nós ouvimos a vítima e gerimos oito testemunhas de acusação, só que duas não foram localizadas, uma o Ministério Público já dispensou e a outra nós vamos tentar ouvir amanhã”, explicou o juiz Celso Souza.

Após uma hora de intervalo da manhã, a audiência retornou por volta de 13h50. A tarde começou com o depoimento de um dos porteiros do condomínio de Alejandro Molina Valeiko, Kelson Duarte Peixoto, que estava trabalhando na noite do crime, 29 de setembro de 2019. O depoimento durou apenas 21 minutos.

Em seguida, a terceira oitiva foi com outro porteiro, identificado como Júnior Barbosa dos Santos. Da quarta oitiva em diante, os nomes não foram mais divulgados. O juiz Celso Souza de Paula, relatou que o processo segue em segredo de justiça.

Após finalização dos questionamentos relacionados a testemunhas de acusação, a audiência seguirá para ouvir as testemunhas de defesa. “Pelo que eu sei são mais de 25 testemunhas de defesa, fora os peritos”, informou o juiz.

Os trabalhos devem seguir pelos próximos dois dias, quarta (28) e quinta-feira (29). A Ação Penal n.º 0654422-21.2019.8.04.0001 tem como réus José Edvandro Martins de Souza Júnior; Mayc Vinícius Teixeira Parede; Paola Molina Valeiko e Elizeu da Paz de Souza. Destes, apenas Paola Molina Valeiko não compareceu à audiência na manhã desta terça-feira, tendo sido representada por seus advogados.

Entre os réus citados, Mayc Vinícius Teixeira Parede e Elizeu da Paz de Souza estão presos. Os outros réus estão respondendo o processo em liberdade.

Após encerrada a audiência de instrução, será a fase da pronúncia, que decidirá se o julgamento vai ser levado a júri popular.

Primeira vítima ouvida

A audiência iniciou por volta das 9h45, com  Elielton Magno de Menezes, considerado pela Justiça como o sobrevivente. Seu depoimento durou cerca de uma hora e 37 minutos.

Ele foi ouvido através de uma videoconferência pois não mora mais em Manaus. O juiz da 1.ª Vara do Júri, Celso Souza de Paula, iniciou a oitiva remotamente.

No dia do crime, a vítima foi ferida dentro do condomínio, ele chegou a ser preso, mas negou a participação no crime. Elielton não foi indiciado pela Polícia Civil no inquérito que investiga o crime.

Ao ser questionado sobre o depoimento da vítima sobrevivente, o juiz da 1.ª Vara do Júri, informou que os relatos sobre o dia do crime foram esclarecedores.

“O depoimento da vítima foi muito esclarecedor, na parte que diz respeito ao crime, então foi tudo dentro da normalidade”, destacou.

Uma das testemunhas ouvidas hoje, também foi Mayc Vinícius, acusado de envolvimento na morte de Flávio. O advogado de defesa, Josemar Berçot, questionou o fato do cliente estar durante toda a audiência algemado.

“É um absurdo meu cliente ter participado de todas oitivas algemado, fiz pedido conforme súmula vinculante (decisão estendida a todos os casos) do STF (Supremo Tribunal Federal ) , no sentido de que os réus não podem participar de audiência algemado e o juiz indeferiu o pedido e ele aparece em todas as filmagens algemados”, expressou o advogado de defesa.

Sobre caso

Flávio Rodrigues dos Santos, 42, foi morto e encontrado em uma área de mata, no bairro Tarumã, zona oeste de Manaus, no dia 30 de setembro de 2019.

Conforme investigações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a vítima desapareceu após participar de uma festa no condomínio de Alejandro, que também fica na zona oeste. O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) constatou que a morte aconteceu no dia 29.

Flávio foi assassinado com seis golpes de arma branca. Antes do crime, a vítima comunicou à família, que estava na casa de Valeiko. Os familiares encontraram no dia seguinte o corpo de Flávio após buscas, que tomaram as redes sociais.

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