Simeam aponta falhas no Hospital Delphina Aziz

Sindicato realizou fiscalização no hospital, situado na zona norte de Manaus, referência para pacientes com o novo coronavírus

Manaus – O Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam) realizou fiscalização no Hospital Delphina Aziz, zona norte de Manaus, referência para pacientes com o novo coronavírus. Apesar dos avanços da Organização Social (O.S) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), responsável pela gestão da unidade, representantes do Simeam identificaram falhas pontuais. A ação ocorreu na noite desta quinta-feira (10).

De acordo com informações da direção da unidade hospitalar, a taxa de ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) já chega a 89%. Dos 382 leitos gerais, apenas 120 são de UTI para atender uma demanda que voltou a ser crescente sinalizando uma possível segunda onda da Covid-19 no estado.

“Isso já é um sinal de alerta, levando em consideração que se trata da unidade referência da doença. Desses 89% de ocupação, cerca de 36% são de pacientes do interior e muitos desses pacientes chegam em estado grave, tendo em vista que o governo não consegue oferecer um transporte aeromédico mais rápido e mais eficiente para atender o interior”, compartilhou o presidente do Simeam, Dr. Mario Vianna.

Durante a inspeção foi identificado que exames solicitados em 2017 estão sendo realizados somente agora. “Nos preocupa que um hospital com essa estrutura, com o parque de imagens que tem com tomografia e ressonância, só consiga estar realizando agora, exames de 2017. Ou seja, pacientes estão na fila para realizar uma ressonância há três anos”, criticou Mario Vianna.

Alvo de reclamações e denúncias porque desde que foi inaugurado nunca funcionou em sua totalidade, a direção da unidade explicou que a progressão das fases previstas no projeto para o atendimento pleno, sempre dependeu de suplementação de verbas destinadas pelo governo do estado para a evolução dos serviços.

“Se tem uma coisa positiva que a pandemia possa ter feito, foi exatamente forçar a necessidade de ativar mais leitos de UTI, mais leitos clínicos. Mas o estado precisa destinar verbas e cobrar da gestão da O.S que apresente resultados”, comentou o presidente do Simeam.

Na avaliação do médico sindicalista, o atual cenário de organização na unidade hospitalar só é possível porque a porta de entrada da urgência e emergência está fechada, ao contrário dos prontos-socorros 28 de Agosto, João Lúcio e Platão Araújo, que já voltaram a atender pacientes com todo tipo de ocorrência.

“É preciso que Manaus entenda que precisamos ter na saúde pública do Amazonas, hospitais gerais com serviços organizados, ambulatório e serviços de apoio e diagnóstico. Sem essa visão de hospitais gerais, o estado sempre terá uma medicina emergencializada e caótica”, avaliou Mario Vianna.

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