VÍDEO: “Só vai servir pra tirar foto”, diz população sobre obra da gestão David; VEJA

Com gasto milionário, obra Parque dos Gigantes na zona leste desagrada moradores com o desperdício de concreto que poderia ser usado em moradias

Manaus – Com entrega fatiada pela Prefeitura de Manaus em ano eleitoral, o Parque Gigantes da Floresta, obra faraônica de cimento que está sendo erguida na zona leste de Manaus pela gestão municipal não está agradando a população que reside no perímetro da construção. O parque, que inicialmente custaria R$ 47.738.779,20, foi aditivado no início deste mês em mais R$ 11,8 milhões e, agora, soma R$ 59.621.359,77 em gastos.

(Foto: Carlos Gurgel / GDC)

“Em razão de alterações técnicas introduzidas nos projetos executivos das obras e serviços, necessários à Construção do Parque dos Gigantes da Floresta no Município de Manaus/AM, objeto do contrato de obras e serviços nº022/2022, fica acrescido em R$ 11.928.856,26 (onze milhões novecentos e vinte e oito mil oitocentos e cinquenta e seis reais e vinte e seis centavos)”, diz a publicação no Diário Oficial do município do dia 08 de maio. O extrato foi assinado pelo diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano Implurb, Carlos Valente.

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A área escolhida para essa construção é de quase 150 mil metros quadrados, isso equivale a aproximadamente o tamanho de duas Arenas da Amazônia.

Com o valor gasto na obra do parque seria possível a construção e manutenção de unidades de saúde que poderiam atender em sua capacidade máxima, a contratação de profissionais na área da saúde e investimentos em equipamentos ou até mesmo novas escolas e creches para atender crianças e adolescentes da região. Com esse mesmo valor gasto pela prefeitura de Manaus na obra, seria possível construir quase 300 apartamentos populares para abrigar quase mil pessoas.

“Isso aqui é uma tremenda falta de respeito com a população, porque é um gasto público nessas escultura aí que não tem nada a ver. De beleza não tem nada. Eu preferia moradir e educação também que é o que mais nós precisamos. O povo precisa ser respeitado”, disse a diarista Elizete Salles.

Outro morador da região reclama que está há quase um ano tentanda fazer um simples exame de vista e não consegue no sistema público. Segundo ele, o dinheiro aplicado na obra poderia ser usado na saúde.

“Eu tô com um ano esperando para fazer um exame na vista e até agora nada. Já desisti. Esse aí é um dinheiro que falta na saúde”, disse o aposentado Oscar Arcanjo.

A ideia da gestão municipal é tornar a região em um ponto turístico e atrair visitantes para ver esculturas de concreto e cimento de animais gigantes que retratam a natureza do Amazonas. Para este morador do bairro, o local só vai servir para tirar foto.

“Uma coisa a gente tem certeza, vai vir gente pra tirar foto aí né! Agora pra que vai servir? Só pra tirar foto? Dava pra ser investido em coisa melhor, mas tá tudo certo, não é a gente que controla o nosso dinheiro, são eles né!”, reclamou o garçom Luís Carlos.

Desde o início da obra, somente uma pequena parte da obra de milhões da gestão David Almeida foi entregue. São algumas quadras e brinquedos, fatiados em anúncios de inauguração de etapas da obra.

Moradores não escondem a indignação com os gastos tão grandes em uma obra que, na visão deles, é desnecessária.

“Tem muitas ruas esburacadas, faltando estrutura, mais moradias. Isso aqui amanhã se não cuidarem vai ficar tudo destruído. Tem que ter uma política mais séria. Não tá bom não”, declarou o aposentado Manoel Saraiva.

“Se fosse pela minha vontade de ver são mais hospitais, mais médicos, porque estamos vivendo dificuldades. Aí eu pergunto: o que o prefeito David Almeida tá fazendo? Ele foi eleito pra trabalhar para o povo. E o que a gente tem visto? Nada! Manaus é uma cidade linda mas onde você anda é só buraco. O que esse homem tá fazendo? E foi eleito pelo povo. Ainda quer se reelger de novo? Essa obras poderiam fazer casas para doar as pessoas. Essa obra só gasta dinheiro”, desabafou o pastor Edson Cordeiro.

E quem passa pelo local pode ver de longe as esculturas que estão sendo construídas, algumas já finalizadas. Mas grande no local, não é só o tamanho dos monumentos, mas também o orçamento para a construção de cada peça. Nem isso é capaz de ser maior que o grau de insatisfação de quem esperava melhorias e investimentos diferentes na região.

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