Solidariedade: grupo de mães arrecada mais de R$ 2 mil para ajudar pipoqueiro

Após a suspensão das aulas numa escola da capital, duas mães ficaram preocupadas com o Seu Francisco, que vende pipoca em frente à instituição

Manaus – A solidariedade está cada vez mais presente no cotidiano dos brasileiros, após muitos autônomos serem impedidos de exercer seu trabalho informal nas ruas das cidades, por causa da pandemia do novo coronavírus. Em Manaus, um grupo de mães se uniu e arrecadou mais de R$ 2.500 para um pipoqueiro que trabalha há 20 anos em frente a uma escola.

Pipoqueiro há 20 anos, Seu Francisco exibe uma das cartas que recebeu das crianças que estudam na escola onde ele costuma vender pipoca (Foto: Divulgação)

Após a suspensão das aulas, duas mães que têm filhos matriculados no colégio ficaram preocupadas com o Seu Francisco, que mora apenas com o pai de 93 anos e trabalha há 20 anos vendendo pipoca. Segundo Cláudia Harraquian, mãe de dois filhos, um de 12 e outro de 6 anos, que estudam na instituição, o pipoqueiro já faz parte do dia a dia dos alunos.

“Seu Francisco é muito respeitador, todo mundo gosta e tem um imenso carinho por ele. Consegui o número do telefone dele e perguntei como estava, após o fechamento do colégio. Ele disse que estava indo comprar o milho para fazer pipoca e vender em frente à Igreja de Nossa Senhora de Nazaré, mas o local também teve suas atividades suspensas. Aí ficamos bastantes preocupadas. Como ele iria conseguir arcar com seus compromissos financeiros, se trabalha vendendo pipoca? Resolvemos, então, mobilizar uma vaquinha entre as mães”, disse Cláudia.

Ela e a amiga Isabelle Hardy, que tem uma filha de 9 anos e gêmeas de 6 anos que também estudam na instituição, mobilizaram uma vaquinha entre as mães e conseguiram arrecadar mais de R$ 2.500.

“Fui hoje [quinta-feira, 2] entregar o valor para o Seu Francisco e levamos também cartinhas e vídeos das crianças que quiseram mandar um recadinho para ele. Algumas até falaram que tiraram as moedas do cofrinho para ajudar na vaquinha. Foi muito bom!”, relatou emocionada.

O valor arrecadado pelas mães, ajudará Seu Francisco a pagar a conta de luz e fazer uma compra no supermercado para abastecer os seus armários.

Cláudia afirma que a vaquinha continua para quem deseja ajudar e que ela ainda procura o contato do picolezeiro Seu Raimundo, que também trabalha em frente à mesma instituição de ensino.

“Nosso objetivo foi de ajudar mesmo, de fazer o bem. Temos que ser solidários uns com os outros. Quem sabe a nossa ideia estimule outras pessoas a fazerem o mesmo? Com a união conseguimos, cada um doa o que pode e, no final, conseguimos mudar para melhor a vida das pessoas”, comenta Cláudia Harraquian.