Gustavo Sotero é condenado a 30 anos e dois meses de prisão

O responsável pela morte do advogado Wilson Justo Filho perdeu o cargo público de delegado da Polícia Civil

Manaus – O delegado Gustavo de Castro Sotero foi condenado a 30 anos e dois meses de prisão por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra Mauricio Carvalho Rocha, além de lesão corporal contra a viúva de Wilson, Fabíola Rodrigues, e Yuri José Paiva.

(Foto: Raphael Alves/Divulgação)

Wilson Justo Filho foi morto a tiros, no dia 25 de novembro de 2017, em uma casa noturna, na zona este da capital. A esposa de Wilson, Fabíola Rodrigues Pinto de Oliveira, e dois amigos do casal, Maurício Carvalho Rocha e Yuri José Paiva Dácio de Souza, que estavam no local no dia do ocorrido, também foram atingidos com tiros da arma usada por Sotero.

A sentença de Gustavo Sotero foi anunciada no início da noite desta sexta-feira (29).

O julgamento teve início na quarta-feira (27), no Fórum Ministro Henoch Reis, bairro São Francisco, zona centro-sul.

O terceiro e último dia de julgamento

O julgamento do delegado Gustavo Sotero, acusado do homicídio do advogado Wilson Justos e de três tentativas de homicídio, foi retomado por volta das 14h desta sexta-feira (29), no plenário do Fórum Ministro Henoch Reis. A acusação teve 1h30 para que os promotores falassem aos jurados, expondo seus argumentos e apontamentos. Por volta das 15h30, a defesa do réu expôs seus contrapontos buscando justificar a atitude do delegado. Às 17h10 foram encerrados os debates entre ambas as partes.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE) não fez uso da réplica, que daria cerca de meia hora para a acusação argumentar aos jurados, possibilitando uma tréplica à defesa, de também meia hora.

Com a decisão do MPE, o juiz titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri, Celso de Paula, pediu que os jurados se retirassem para iniciar a votação que decidiu a pena do réu.

Os sete jurados, sendo cinco homens e duas mulheres, discutiram durante duas horas sobre as acusações que pesavam sobre o réu.

Às 19h15, o juiz Celso de Paula retornou a sessão para anunciar o veredito. No total, o delegado Gustavo Sotero foi condenado a 30 anos e 2 meses de reclusão na somatória de todas as penas, contra as quatro vítimas desse caso.

Sotero foi condenado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra Mauricio Carvalho Rocha, além de lesão corporal contra a viúva de Wilson, Fabíola Rodrigues e Yuri José Paiva.

O réu perdeu seu cargo de policial civil e também não poderá apelar da sentença em liberdade, ficando preso inicialmente em regime fechado, uma vez que já foi condenado pelo Tribunal do Júri.

O MPE declarou que não é de interesse recorrer na sentença aplicada pelos jurados e proferida pelo juiz Celso de Paula.

“Nós viemos parabenizar os jurados que hoje foram juízes de fato e agradecer pelos três dias. Em relação a sentença, o MPE não vê necessidade de reparos. Por fim, me solidarizo com as duas famílias”, disse o promotor George Pestana.

A defesa do réu elogiou a postura do juiz, dos jurados e da forma que o julgamento foi conduzido.

“Advogados criminalistas são vistos como inimigos do ministério público. Mas não somos, estamos apenas de lados opostos, mas temos o mesmo objetivo, de defender. Gustavo, a luta continua, não pararemos de lutar!”, declarou o advogado de defesa do réu, Cláudio Dalledone Júnior.

Durante os três dias de julgamento popular do delegado Gustavo Sotero, foram mais de 34 horas de sessão, onde todas as 14 testemunhas, dois peritos e o réu foram escutados pela acusação e defesa.

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