Surto de sarampo no Amazonas preocupa a ONU

Equipes da Opas/OMS acompanham os trabalhos de combate à doença, no Amazonas e em Roraima frente ao avanço em outros Estados e, também, no continente

Manaus – Com o crescimento dos casos de sarampo no Amazonas e Roraima e a notificação de novos casos em outros Estados como Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS) está colaborando com as ações para controle do surto no Amazonas (271 casos confirmados, todos em Manaus) e Roraima (200 casos confirmados). Manaus está em situação de emergência por 180 dias, desde a última terça-feira (3).

OMS orienta países a buscarem 95% de cobertura da vacinação. (Foto: Wilson Dias/Abr)

A decisão busca agilizar as ações de prevenção e controle, visando à quebra da cadeia de transmissão do vírus do sarampo. A Opás/OMS enviou à Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, na sexta-feira (29), uma nota técnica com subsídios favoráveis à tomada dessa medida e tem enviado especialistas para colaborar com as ações de resposta à doença conduzidas pelo governo municipal, em coordenação com o governo estadual e federal.

A localização de Manaus na Região Norte, no caminho do fluxo de venezuelanos que trouxeram a doença e a atividade econômica do polo industrial, comercial e turístico, com grande número de viajantes nacionais e internacionais, são um cenário proprício para a expansão dos casos, alguns confirmados em Rondônia e Mato Grosso.

Outra preocupação é o risco de propagação do sarampo para países vizinhos. Por isso, a Opas/OMS está apoiando as atividades de vacinação, vigilância, gestão, informação, educação, comunicação social, resposta rápida e mobilização de recursos no estado do Amazonas.

O organismo internacional também está auxiliando o governo federal do Brasil no fornecimento de seringas, na compra de materiais para manter a temperatura adequada das vacinas, na contratação de cerca de 200 vacinadores, aluguel de veículos para transporte de equipes de saúde, planejamento de ações de imunização e no envio de especialistas para apoiar as autoridades nacionais e locais no estado de Roraima.

Conforme a mais recente atualização epidemiológica da Opas/OMS, publicada, no início de junho, 11 países do continente americano já notificaram casos confirmados de sarampo neste ano: Antígua e Barbuda, Argentina, Brasil, Canadá, Colômbia, Equador, Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Venezuela.

A região das Américas foi a primeira do mundo a ser declarada livre de sarampo, uma doença viral que pode causar graves problemas de saúde, inclusive pneumonia, cegueira, inflamação do cérebro e até mesmo a morte. A principal medida para prevenir a introdução e disseminação do vírus do sarampo é a vacinação da população suscetível, juntamente com a implementação de um sistema de vigilância de alta qualidade e sensível o suficiente para detectar de forma oportuna quaisquer casos suspeitos.

Tendo em vista as contínuas importações do vírus de outras regiões do mundo e os surtos em curso nas Américas, a Opas/OMS pede que países vacinem a população para manter uma cobertura de 95%.

Rio de Janeiro e Rondônia confirmam casos da doença

Dois pacientes do Rio de Janeiro tiveram diagnóstico de sarampo confirmados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), laboratório de referência do Ministério da Saúde. A informação foi divulgada, ontem, pela Secretaria de Estado de Saúde.

Os dois casos confirmados são alunos da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde, até o final da semana passada, havia 13 casos suspeitos de sarampo. Esses estudantes participaram de um encontro com jovens de vários Estados brasileiros na cidade de Petrópolis, na região serrana fluminense.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde, as autoridades sanitárias da cidade do Rio realizaram uma vacinação de bloqueio no dia 3 de julho, na Faculdade de Direito, localizada no centro da capital fluminense.

A Secretaria de Saúde ressaltou que a proteção contra o sarampo faz parte das vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral, disponíveis conforme calendário de vacinação do Ministério da Saúde para crianças entre 12 e 15 meses. A cobertura vacinal contra a doença para crianças de 1 ano no Estado é 95% . Devem ser vacinadas as crianças de até 1 ano e adultos de até 49 anos que não tenham sido imunizados. Aqueles que tomaram as duas doses da vacina não precisam tomar nova dose.

A Secretaria de Saúde de Rondônia também confirmou, ontem, o primeiro caso de sarampo no Estado. Um outro caso já testou positivo para a doença, mas aguarda resultado de contraprova, a ser enviado pela Fundação Oswaldo Cruz, para ser oficialmente contabilizado. Rondônia não tinha registros de sarampo desde 1999.

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