Terceirizados da Susam voltam a paralisar atividades no HPS João Lúcio

As reivindicações são de pagamentos de salários atrasados há, pelo menos, três meses. Segundo a Susam, R$ 44 milhões já foram pagos a empresas de recursos humanos

Manaus – Funcionários terceirizados da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) voltaram a paralisar as atividades, nesta sexta-feira (24), no Hospital Pronto-Socorro João Lúcio, localizado na zona Leste de Manaus, em protesto reivindicando o pagamento de salários atrasados. Desta vez, maqueiros, funcionários de serviços gerais e assistentes administrativos, da empresa Podium, cruzaram os braços em frente ao hospital e afirmaram que estão há três meses sem receber.

Terceirizados cobram salários atrasados (Foto: Natasha Pinto/Divulgação)

O maqueiro Rogério Marcelino, 41, diz que a situação é crítica, e que os representantes, tanto do hospital quanto da empresa, dizem que vão pagar mas cumprem as promessas. “Eles quase não vêm conversar com a gente e também ficam nos ameaçando, que se pararmos vão nos mandar embora. Nós já fomos lá e disseram que não tem dinheiro para nos pagar. Nós trabalhamos com fome o dia inteiro, o almoço só é uma cabeça de peixe”, disse.

O assistente administrativo Adrieuson Campos, 30, disse que o problema se arrasta desde a antiga empresa, que deixou a dívida. Ele conta que procurou saber a localização da empresa e, quando chegou no local, a aparência era de um galpão abandonado.

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“Quando essa empresa entrou, fez mil promessas dizendo que tinha verba para nos pagar e até agora nada. Tive a curiosidade de ver onde era a empresa e quando cheguei era um galpão abandonado, com uma sala com dois computadores somente e na hora estava tendo até confusão com funcionários que também queriam seus salários e eles diziam que não tinham, chamaram até a polícia”, contou.

Segundo Paula Monteiro, 32, funcionária de serviços gerais do hospital, nenhum dos terceirizados estão cadastrados no Ministério do Trabalho, sendo que alguns já assinaram contrato. “Nós fomos ontem (23) no Ministério do Trabalho e eles nos informaram que não existe funcionário cadastrado na Podium e que já tinha denúncias contra essa empresa. Nós nem conhecemos o dono dela, toda vez vem um rapaz dizendo que o dinheiro vai cair em uma sexta ou quarta-feira, mas não cai”, disse.

Na manhã da última quinta-feira, vigilantes terceirizados da unidade também paralisaram as atividades, afirmando estarem sem pagamento dos salários por cinco meses. A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, por meio de nota, que no mesmo dia o pagamento foi liberado para a empresa que presta serviço de segurança no hospital e que, o compromisso das mesmas é que priorizem o pagamento dos funcionários.

A nota da secretaria disse, ainda, que em novembro foram pagos R$ 44 milhões a empresas de recursos humanos. Sobre a paralisação desta sexta-feira, a Susam não havia se pronunciado até a publicação desta matéria.

Governo afirma que estabeleceu calendário de pagamentos para empresas

A Susam informou, na última quarta-feira (22), que um acordo foi firmado com as empresas médicas e de outros segmentos que fazem atendimento nas unidades de saúde da rede estadual para estabelecer um calendário regular de pagamento a partir de dezembro. Os pagamentos devem ser feitos sempre na primeira semana da segunda quinzena de cada mês. Em dezembro, por exemplo, entre os dias 18 e 22, todos receberão os valores referentes ao mês de outubro. Em novembro, o governo informou que já fez um pagamento de R$ 44 milhões acordado em reunião anterior com as empresas.

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