Ufam se pronuncia sobre denúncia nas redes sociais de fraude em sistema de cotas

Estudantes que se autodeclararam pretos, pardos e indígenas para ingressar na instituição, mas não se enquadram no sistema de cotas, tiveram seus perfis expostos nas redes sociais

Manaus – Nesta quinta-feira (4), perfis de redes sociais denunciaram alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que se autodeclararam pretos, pardos e indígenas, para entrarem na instituição, mas na verdade não se enquadram no sistema de cotas.

As denúncias trazem informações como nome do aluno, curso, ano de ingresso e a modalidade de cotas. A Ufam se pronunciou sobre as publicações e informou que já tem ciência sobre as denúncias feitas.

(Foto: Arquivo GDC)

Em nota oficial, a instituição destacou ainda que a “Universidade parte do pressuposto legal de validade da autodeclaração, quando o candidato assume toda a responsabilidade pela declaração prestada quando da inscrição no Processo Seletivo e no ato da Matrícula Institucional. Dessa forma, havendo incongruência na declaração, ele pode e terá sua matrícula cancelada”.

Após a exposição das fotos dos estudantes, debates foram levantados em relação às cotas. A equipe do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) conversou com o sociólogo e professor Francinézio Amaral sobre o assunto, que destacou que o uso indevido das cotas é feito por pessoas que agem de má fé.

“É fato que cada vaga do sistema de cotas roubada por alguém que usa de má fé, se passando por negro, indígena ou pardo, somado às falhas de fiscalização mais rigorosa do processo seletivo e à confusão causada pelo uso de um termo que inviabiliza as questões sociais e raciais do País, causa ainda mais sofrimento na vida daqueles que, historicamente, sempre tiveram de lutar pelo reconhecimento da própria existência, no caso, indígenas e negros”, explicou o professor.

Segundo Amaral, a maioria dos casos denunciados envolve pessoas que buscaram pelos cursos de direito e medicina, os mais concorridos das universidades. As cotas ainda podem ser vistas por pessoas brancas e de classes mais altas do País como ataque aos seus privilégios históricos.

“Quando esse espaço começa a ser ocupado por negros e indígenas, a elite branca se sente ameaçada, chegando ao nível de cometer crimes de falsidade ideológica, para tentar manter seus privilégios”, destacou Amaral.

Sobre a Lei

A Lei nº 12.711/2012 garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas universidades federais e instituições de educação, ciência e tecnologia a alunos do Ensino Médio público. As demais vagas são disponibilizadas para ampla concorrência.

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