Vice-presidente dos EUA visitará abrigo de venezuelanos em Manaus

Cerca de 200 venezuelanos vivem atualmente em dois abrigos administrados pela Prefeitura de Manaus

Manaus – Em viagem oficial ao Brasil, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, visitará, além de Brasília, a capital do Amazonas, Manaus, nesta quarta-feira (27). Está prevista uma visita de Pence a um abrigo de imigrantes venezuelanos que buscam melhores condições de vida no Brasil.

Cerca de 200 venezuelanos vivem atualmente em dois abrigos administrados pela prefeitura de Manaus. Um desses espaços, no bairro Coroado, chegou a receber 300 estrangeiros. Nesses locais, os imigrantes têm acesso a políticas públicas, à documentação e a aulas de português.

Cerca de 200 venezuelanos vivem atualmente em dois abrigos administrados pela Prefeitura de Manaus (Foto: Sandro Pereira)

Em janeiro, o prefeito Arthur Virgílio recebeu do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), o reconhecimento pelo acolhimento dos índios venezuelanos da etnia Warao. No começo do mês, Pence confirmou, na Casa Branca, a sua visita aos dois países e anunciou que o motivo era voltado para a segurança e relações econômica e “para chamar a atenção sobre o colapso da tirania e a crise humanitária na Venezuela”.

Alguns venezuelanos, no entanto, continuam nas ruas, mas são hoje um número bem menor. Um dos principais pontos de concentração de venezuelanos na capital amazonense, a rodoviária atualmente abriga 12 imigrantes que chegaram de Roraima na última sexta-feira (22). O local, no ano passado, praticamente havia se tornado um acampamento, onde eles viviam em condições precárias. Uma articulação entre os governos federal, estadual e municipal possibilitou a transferência dos estrangeiros para um abrigo.

A professora venezuelana Elimar Bello, de 39 anos, faz parte do grupo que está dormindo na rodoviária. Ela conta que passou mais de 20 dias em Boa Vista, onde o fluxo migratório é intenso e, por isso, decidiu tentar uma oportunidade de qualificação e trabalho em Manaus. Foram 12 dias de caminhada entre as duas capitais debaixo de sol e chuva.

“É uma constante luta. Saí do país por causa da situação econômica que estamos atravessando. Não é fácil ser um profissional e não ter melhor qualidade de vida para ajudar a família e os filhos com o mais essencial.” Elimar quer uma moradia e um trabalho a fim de conseguir trazer para o Brasil os três filhos que ficaram na Venezuela.

Gregori Ruiz, de 23 anos, que chegou no mesmo grupo da professora, tem a mesma esperança. “A vida na Venezuela está muito difícil. Nós precisamos de trabalho para ajudar nossa família na Venezuela. Como cozinheiro, pedreiro, mecânico, borracharia, pintura. Em Roraima já tem muito venezuelano e já não querem mais nos dar trabalho”, conta.

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