Wilson Lima decreta estado de calamidade pública no AM

Governador autorizou ainda a realização de pesquisas com uso de cloroquina para combater o novo coronavírus no Amazonas

Manaus – O governador Wilson Lima anunciou, na tarde desta segunda-feira (23), durante coletiva online, a autorização da pesquisa com uso de cloroquina para combater o novo coronavírus (Covid-19). Foi anunciado, ainda, a publicação de um decreto estabelecendo estado de calamidade pública no Amazonas, além de outras medidas para evitar a proliferação do vírus no Estado.

O governador suspendeu o funcionamento de clínicas e consultórios médicos e veterinários (Foto: Reprodução)

Os testes com cloroquina devem começar nesta terça-feira (24), no Hospital e Pronto Socorro Delphina Aziz, considerado referência para atendimentos aos casos confirmados, e serão aplicados em pacientes que testaram positivo para o vírus. O Amazonas possui 32 casos confirmados, conforme atualizado nesta segunda-feira, pela Fundação em Vigilância de Saúde do Amazonas (FVS-AM).

A pesquisa deve ser realizada em conjunto com o Hospital de Medicina Tropical, Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), FVS-AM e Fiocruz. Segundo o secretário da Susam, Rodrigo Tobias, o Estado é o primeiro no Brasil a realizar a pesquisa, que teve aprovação do Conselho Nacional de Ética e Pesquisa.

“Essa é uma pesquisa que avalia a eficácia da cloroquina em associação com outros medicamentos, no combate ao coronavírus em pacientes”, afirmou.

Decreto estadual

O decreto que estabelce o estado de calamidade pública no Amazonas determina, ainda, que todo o comércio voltado ao lazer seja fechado, podendo seguir em funcionamento apenas os que oferecem os serviços essenciais.

“Para o Distrito Industrial, seguem as regras que são estabelecidas pela Anvisa e também orientadas pela FVS, sobre condutas que devem ser tomadas nesses estabelecimentos, em relação a higiene e monitoramento”, falou o governador do Estado.

Wilson Lima suspendeu, também, o funcionamento de clínicas e consultórios médicos e veterinários, com exceção para os que oferecem o serviço de urgência e emergência.

Em relação ao serviço público do Estado, Lima decretou que todas as atividades sejam exercidas em sistema de home office. “Os funcionários vão trabalhar em casa, salvo os serviços essenciais, como saúde e segurança pública. Cada secretaria vai estabelecer como isso será feito, de acordo com as suas necessidades”, explicou.

Pacote de medidas estaduais

O Estado disponibilizará, nos próximos dias, R$ 40 milhões para pequenas e micro empresas, por meio da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), para capital de giro. O governador determinou, ainda, um programa de distribuição de renda para 50 mil famílias do Estado, que devem receber mensalmente R$ 200, pelo período de três meses.

“Também já determinei ao Procon que entre em contato com as empresas de telefonia, internet, água e luz, para que elas possam estender o prazo de pagamento desses serviços essenciais e que não façam o corte em caso de inadimplência, que haja essa sensibilidade com o consumidor do Amazonas, em um momento tão difícil pelo qual todos estão passando”, acrescentou.

Conforme o governador, será encaminhado para a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) um projeto para criação do fundo de combate a epidemias, para receber doações de pessoas físicas e jurídicas. A verba deve ser destinada para compra de cestas básicas, que serão distribuídas entre as populações mais vulneráveis no Estado.

Medidas federais

Wilson Lima afirmou que, na tarde desta segunda (23), houve uma reunião com o presidente da República e sua equipe, além de outros governadores da região Norte, em que Jair Bolsonaro anunciou a liberação de R$ 88 bilhões para Estados e municípios, que devem ser destinados no combate ao novo coronavírus.

“São seis medidas tomadas pelo governo federal que devem ajudar e muito o Amazonas. Eu apresentei alguns pleitos, que é a desvinculação de algumas receitas do SUS, que já estão depositadas em conta para que possamos usar no combate ao coronavírus, além da utilização dos recursos de pesquisa e desenvolvimento das empresas. Também pedi ao ministro de Infraestrutura que houvesse um regramento e que pudesse ser mais específico em relação ao trânsito de passageiros pelos rios e pelas estradas. Coloquei, ainda, à disposição os técnicos da área de saúde do Amazonas para se juntar com os técnicos da Anvisa, para que possamos entrar no aeroporto, fazer a triagem dos passageiros, medir a temperatura, rastrear e monitorar de onde veio”, disse.

* Matéria atualizada às 18h59

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