Após caso de naja, duas cobras são entregues voluntariamente ao Ibama

Órgão alerta para risco à saúde pública e ao próprio animal que é mantido em cativeiro sem autorização ou que entra no País ilegalmente

Brasília – O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) recebeu duas cobras filhotes, na última sexta-feira (10), na sede do órgão, em Brasília (DF), após o criador ter se sensibilizado com o caso do estudante que foi picado, na mesma semana, por uma naja kaouthia. Como a entrega foi espontânea, o responsável não será penalizado, o que é amparado pela legislação.

As serpentes, das espécies trimeresurus e jararacuçu, foram encaminhadas ao Zoológico de Brasília, onde passam por exames clínicos. Estas se somam a outras 17 que também estão sob os cuidados do local depois de terem sido encontradas pela Polícia Militar do Distrito Federal após denúncias. O Ibama fará uma consulta a instituições habilitadas, como o Instituto Butantan, que poderá mantê-las em caráter definitivo para pesquisas.

Na semana passada, um estudante, em Brasília, foi picado por uma naja kaouthia (Foto: Pablo Le Roy/Divulgação/Ibama)

Quem mantém animais silvestres ou exóticos de forma irregular pode fazer a entrega voluntária ao Ibama em todas as unidades do País. A população também pode denunciar suspeitas de criação através da ‘Linha Verde’, no telefone 0800-618080. O órgão chama a atenção para o risco de ter animais, como serpentes, em ambientes inapropriados, tanto para o bicho, quanto para as pessoas.

Para manter cobras em casa, o interessado deve solicitar autorização junto ao órgão ambiental do Estado no caso de espécies não venenosas. Cobras peçonhentas podem ser criadas apenas com fins comerciais, por instituições farmacêuticas, ou com intuito de conservação, ou seja, quando o animal não pode voltar à natureza por diversos motivos, como ter sido vítima de maus-tratos.

Casos recentes

Na semana passada, outras 17 cobras foram encaminhadas por agentes do Ibama ao Zoológico de Brasília. Um dos casos é o da espécie naja kaouthia, que picou um estudante, o qual está hospitalizado devido aos efeitos do veneno, um dos mais fortes do mundo. A naja, apreendida na quarta-feira (8), não tem registro no Brasil e tem origem na Ásia e na África. O órgão lavrou uma multa de R$ 2 mil em nome do estudante por se tratar de animal que teve entrada não autorizada no País.

Já as 16 serpentes foram localizadas na quinta-feira (9) em um sítio, também no DF. Entre as espécies estão corn snakes, jibóia, periquitamboias e cascavel – que supostamente teriam sofrido maus-tratos. O Ibama e a PC-DF apuram o caso.

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