Pescadores buscam legalizar abatimento de jacarés no interior do AM

Trabalhadores afirmam que a superpopulação da espécie, em áreas de pesca, tem ocasionado ataques e prejuízos. Proposta é que a carne e o couro seja convertido em recursos para as comunidades

Manaus – Pescadores do interior do Amazonas buscam a legalização do manejo de jacarés no Estado, justificando que a superpopulação da espécie, em áreas de pesca, tem prejudicado a atividade dos trabalhadores e ocasionado ataques. O abatimento dos animais, de acordo com os pescadores, não vai levar à extinção da espécie, mas sim controlar a população nas áreas de pesca, para evitar os ataques aos trabalhadores e ribeirinhos.

ONG ainda vai iniciar a contagem visual dos animais no Careiro da Várzea (Foto: Sandro Pereira)

O anúncio foi feito, na manhã desta quarta-feira (23), pela Federação dos Pescadores do Amazonas (Fepesca-AM) e pela ONG NPC – Núcleo de Pesquisa, Conservação e Prevenção, durante a segunda Assembleia Geral dos Pescadores, realizada na sede da Fepesca-AM, localizada na rua Cruzeiro, no bairro Betânia, zona sul de Manaus. Os trabalhadores estão com pedido de legalização em andamento, junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

De acordo com Walzenir Falcão, presidente da Confederação Nacional de Pescaria e da Fepesca-AM, o abatimento terá como objetivo o controle da população nas áreas de pesca, além de usar o animal abatido como fonte de renda para os pescadores e comunidades ribeirinhas. “Nós buscamos conhecimento com a NPC (Núcleo de Pesquisa, Conservação e Prevenção), que já tem um trabalho implantado no Estado e assinamos um convênio de cooperação técnica, para sabermos o quanto pode ser retirado do local sem afetar a espécie e ser explorado”, disse Walzenir.

De acordo com o Valdemiro Oliveira, presidente da Colônia dos Pescadores do Careiro da Várzea (a 25 quilômetros a leste de Manaus), área onde teve mais ataques dos animais, essa superpopulação dos jacarés está causando mortes e mutilações em pescadores e ribeirinhos, sendo o manejo a melhor solução. “Esse problema existe há 15 anos, todos os anos nós temos esses casos e já é permitido por lei, desde 2011, via Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA), o manejo desse animal desde que a área seja de preservação ambiental, que é o caso de Careiro da Várzea”, afirmou.

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Assembleia que debateu manejo da espécie reuniu pescadores de área afetadas pela superpopulação (Foto: Sandro Pereira)

Os pescadores alegam que estão sendo prejudicados pois não conseguem ir aos locais onde se encontram os peixes por conta da presença dos jacarés, por medo de serem atacados e que os animais destroem as redes de pesca. “O prejuízo pode superar R$ 600 mil, entre a gasolina para ir pescar em outra localidade, recomposição de material de pesca, alimentação e outros”, explicou Walzenir Falcão.

O Presidente da NPC, Paulo Bezerra, diz que o processo de legalização já está em andamento e pretende, a partir de setembro, iniciar a contagem visual dos animais no Careiro da Várzea, para fazer a estimativa da quantidade a ser tirada e levada ao frigorífico para o abatimento. “Nós temos que primeiro apresentar o levantamento ao Ipaam, legalizando o sistema de manejo, depois o processo de beneficiamento, que parte de ter um frigorífico com registro estadual ou federal, com as condições necessárias para poder abater o jacaré e comercializar”, ressaltou.

Com os animais abatidos, os pescadores pretendem comercializar sua carne e couro, sendo o recurso revertido para a comunidade que fez parte do manejo dos animais.

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