Articulação política em prol da Amazônia marca participação brasileira na COP27

Governos subnacionais e de transição debatem sobre como atuar juntos no enfrentamento das mudanças climáticas

Egito – A participação brasileira na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 27, que acontece em Sharm El-Sheikh, no Egito, ganha contornos políticos em sua segunda e decisiva semana. A chegada de governadores estaduais, de membros da equipe de transição do governo, bem como a expectativa da participação do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, nos próximos dias, trouxeram relevância para as interlocuções políticas em torno da agenda de combate às mudanças climáticas atrelada ao desenvolvimento sustentável do país.

(Foto: Divulgação)

A sociedade civil, que já havia ganhado protagonismo na última edição da conferência, marcada pela tímida participação do governo federal, segue bastante ativa e, agora, articulando e apresentando suas propostas e visões aos representantes das diferentes esferas de poder que se encontram em Sharm El-Sheikh.

“A segunda semana da COP começou com tons políticos para o Brasil”, afirma Izabella Teixeira, conselheira da presidência da COP e participante da iniciativa Uma Concertação pela Amazônia, rede com mais de 500 líderes que atuam em prol da região. “Neste ano, as interlocuções passaram a ser políticas entre sociedade, governos subnacionais e equipes de transição. É uma sinalização muito concreta do amadurecimento das discussões de longa data da sociedade civil.”

Na segunda-feira (14), representantes da sociedade civil e da equipe de transição do novo governo participaram de um painel em que foram apresentadas uma série de propostas para alavancar o desenvolvimento sustentável no Brasil e enfrentar as mudanças climáticas.

Uma das propostas entregues foi da própria Concertação. O documento “100 primeiros dias de governo: propostas para uma agenda integrada das Amazônias” sugere ações concretas para a região que podem ser adotadas já no início dos mandatos do Executivo federal e estadual, e Congresso Nacional. As propostas trazem uma abordagem sistêmica, que tem como pilares proteção ambiental, inclusão social e desenvolvimento econômico.

Para Roberto Waack, cofundador da Concertação, há uma mensagem clara de que o Brasil está de volta ao debate climático internacional, e de uma forma animadora. “É no espaço da sociedade civil brasileira que se vê diversidade: povos indígenas, negros, políticos, cientistas e representantes da sociedade civil conversando, gerando uma energia muito positiva em torno da agenda da COP.”

Se por um lado não se espera que saiam mais acordos de grandes proporções – já que essa é a COP da implementação do Acordo de Paris – por outro existe a expectativa de que ela defina ações concretas para conter a elevação da temperatura média do planeta e evitar suas consequências mais graves.

“A mobilização da sociedade e do setor privado na implementação é fundamental e não vejo nenhum outro país como o Brasil, com tanta energia e vontade de fazer a agenda avançar”, afirma Waack. Diante das muitas propostas e visões para um Brasil alinhado ao debate climático, será importante que todos sigam na mesma direção. “O desafio é que todas as visões se alinhem daqui para a frente.”

A Amazônia na COP

Um ponto destacado pelos representantes da Concertação é a atenção que a Amazônia tem recebido no Egito. Pela primeira vez em uma COP, os estados amazônicos montaram um espaço próprio, o Hub Amazônia Legal, que tem ficado diariamente lotado. Em debate, temas como combate ao desmatamento e queimadas e desenvolvimento sustentável.

Nesta segunda-feira, por exemplo, foi realizada coletiva de imprensa do Consórcio da Amazônia Legal, diante de uma plateia lotada, em que o governador do Pará, Helder Barbalho, apresentou os pilares para o desenvolvimento sustentável na Amazônia, que alie economia de baixo carbono em equilíbrio com o bem-estar das pessoas e a floresta.

Integrantes da Concertação reuniram-se com Barbalho para apresentar as propostas da iniciativa e ressaltar a importância de se ter uma agenda integrada para a região amazônica.

“O ambientalismo vive um novo momento. Há um olhar muito mais integrado para essa agenda”, afirma Renata Piazzon, secretária-executiva da Concertação e diretora do Instituto Arapyaú. “Uma agenda que envolve o social, o econômico e a prosperidade para todos e que tenha como consequência o combate ao desmatamento.”

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