Camilla, a galinha de borracha, foi à estratosfera em missão

Camilla estava acompanhada de uma espécie de ogiva equipada com quatro câmeras, um termômetro e dois localizadores por GPS para medir na radiação da estrela sobre o planeta.

Rio de Janeiro – Ninguém percebeu a olho nu aqui da Terra, mas um frango de borracha, apelidado de Camilla, passeou pela estratosfera por duas vezes no mês passado a 38 quilômetros de altura, a bordo um balão de hélio. A missão: representar o Observatório de Dinâmica Solar da Nasa em um experimento de alunos de ensino médio de Bishop, na Califórnia. 

Camilla tem fama nas principais redes sociais, como o Facebook, e voou com sua bagagem tecnológica no dia 3 de março — antes de uma sequencia de tempestades solares cuja radiação atingiu a Terra — e uma semana depois, quando o fenômeno solar estava no auge. Em cada voo, a mascote de borracha ficou na estratosfera por 90 minutos, onde a temperatura cai para menos 60 graus centígrados. Sobrevoava a Califórnia quando o balão de hélio estourou, conforme o previsto, e todo o aparato foi resgatado intacto depois de descer de paraquedas até uma cadeia montanhosa no leste de Serra Nevada, informou a Nasa.

— A viagem de Camilla para a estratosfera nos deu a chance de conversar com milhares de pessoas sobre tempestades de radiação — disse Romeo Durscher, que cuida da galinha de borracha na Universidade Stanford, também na Califórnia, segundo a agência espacial americana.

A fonte da tempestade solar, a maior desde 2003, era um ponto da estrela nomeado como AR1429. Nos cálculos da agência espacial, a radiação lançada por este ponto em três dias, na primeira quinzena de março, foi energia o suficiente na atmosfera para abastecer Nova York por dois anos.

O balão de Camilla — devidamente paramentada com uma imitação de roupa espacial e um capacete apertado — também carregou 24 sementes de girassol e sete insetos para um experimento de astrobiologia. A ideia foi testar o comportamento deste tipo de carregamento em ambientes extremos, quase no espaço.

O girassol era da espécie Helianthus annuus. Bem, como era de se esperar, nenhum dos insetos sobreviveu à missão, mas os estudantes guardaram os corpos numa rara coleção de de bichos que chegaram perto de alcançar o espaço.

Os estudantes californianos esperam agora conseguir repetir o experimento, mas desta vez, com um carregamento de micróbios para testá-lo no ambiente hostil.