Primeiro centro de medicina indígena do AM, o Bahserikowi´i, é inaugurado em Manaus

O atendimento com o conhecimento dos povos nativos do Amazonas serão direcionados aos indígenas e não-indígenas. O agendamento da primeira consulta pode ser feito, no valor de R$ 10, já o valor do tratamento será definido conforme a complexidade da doença

Gisele Rodrigues/ [email protected]

A ideia com o Centro, segundo o coordenador, é oferecer outras possibilidades de tratamento, baseada nos conhecimentos dos povos indígenas (Foto: Gisele Rodrigues)

Manaus – Indígenas do Alto Rio Negro inauguraram, nesta terça-feira (6), no centro da capital, o primeiro Centro de Medicina Indígena da Amazônia, o Bahserikowi´i .

O atendimento com o conhecimento dos povos nativos do Amazonas serão direcionados aos indígenas e não-indígenas e, de acordo com o idealizador do projeto, João Paulo Barreto será realizado pelos pajés Manoel Lima, da etnia Tuyuka, e Ovídio Barreto, da etnia Tukano, em um prédio da rua Bernardo Ramos, nº 97.

O agendamento da primeira consulta com os Kumuã, como são chamados os especialistas indígenas, pode ser feito, no valor de R$ 10, já o valor do tratamento será definido conforme a complexidade da doença, segundo explicou Barreto.

A terapêutica utiliza como base, segundo Barreto, o conhecimento no ‘benzimento’ (Bahsese) a partir dos princípios da natureza. Estão disponíveis no centro, ainda, especialistas em proteção (Watidarese) contra agressões interpessoais.

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Pajés vão atender o paciente e desenvolver o tratamento (Foto: Gisele Rodrigues)

A valorização dos conhecimentos indígenas faz parte do trabalho da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), segundo o coordenador-secretário do órgão, João Neves.

Desde 2015, segundo Neves, um decreto permite que os indígenas frequentem e apliquem a medicina alternativa dentro dos hospitais do Estado. A medida, segundo ele, muitas vezes não é respeitada dentro das unidades médicas.

“Temos que quebrar essa questão de que o modo indígena atrapalha. Precisamos conviver, ter uma parteira dentro do hospital, um pajé. Queremos respeito à nossa estrutura, ao nosso jeito de viver”, disse Neves.

Além do projeto de medicina indígena, cursos, oficinas e palestras sobre as línguas e cosmologias indígenas serão ministrados no espaço em parceria com o Núcleo de Estudo da Amazônia Indígena da Universidade Federal do Amazonas (Neai/Ufam).

Como forma de geração de renda, segundo Barreto, o projeto “Amazônia Originários” vai promover ainda a venda de artesanato e arte indígena.

O coordenador do espaço esclareceu que o atendimento dos Kumuã não significa que o doente abandonará o tratamento que já vem realizando nas unidades de saúde tradicional. A ideia com o Centro, segundo o coordenador, é oferecer outras possibilidades de tratamento, baseada nos conhecimentos dos povos indígenas.

 

Kumuã

Segundo o coordenador do Centro, os Kumuã são especialistas indígenas do Alto Rio Negro que recebem o poder de cura e de tratamento desde o nascimento e passam por uma formação rigorosa da infância até a juventude. Na formação, eles recebem os conhecimentos contidos na natureza e aprendem a interagir com os chamados Waimahsã, os seres que se encontram nos ambientes aquáticos, nas florestas e na terra. Segundo o credo indígena, os Waimahsã são invisíveis aos humanos, com exceção dos Kumuã.

 

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