Em Manaus, Mercado Adolpho Lisboa sob contagem regressiva

Com reabertura marcada para 24 de outubro, mercado já mostra cores e detalhes da nova cara.

Manaus – Em ritmo acelerado de obras, por conta do prazo-limite de entrega — 24 de outubro, data em que Manaus celebra seus 344 anos de fundação, o Mercado Municipal Adolpho Lisboa já conta com processo de restauração e adaptação quase concluído. Pensando nisso, o Portal D24AM, a 46 dias da reabertura, apresenta um ‘tour’ pelo interior da edificação.

“Essa nova fase, sob responsabilidade da nova gestão municipal, foi iniciada em março deste ano. Nós encontramos tudo em estágio bem avançado, mais ou menos em 60%”, afirmou Jackson Freitas, engenheiro da Biapó, empresa responsável pela obra.

Área externa

No local onde funcionava uma feira provisória, ao lado do mercado, funcionários da Prefeitura conduzem a desmobilização. Posteriormente, a Biapó iniciará a construção de um estacionamento para 15 vagas.

“Árvores de sibipiruna serão plantadas no local, para fins de ornamentação”, disse. “A ideia não é a de fazer um local para se guardar carros por um longo período de tempo, mas que tenha caráter rotativo”, explicou Jackson.

Na área voltada para o Rio Negro, onde situava-se outro conjunto de permissionários, os planos são o de instalar uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) e erguer uma pequena praça. “Com essa obra, abriremos a vista para o rio já na entrada da Rua dos Barés”, informou.

Projeto ‘Canteiro Aberto’

Próximo à entrada do Pavilhão do Peixe, a construtora alocou o projeto ‘Canteiro Aberto’. Dispostos em prateleiras, resíduos do processo de restauração ajudam a identificar o prédio histórico. “São pedaços de diversos pontos do mercado. Temos, por exemplo, uma telha cujo formato imita escamas de peixe”, citou.

Pavilhão do Peixe

Destinado a 20 permissionários, o Pavilhão do Peixe já está em fase final de obras. De acordo com Jackson, resta apenas a instalação do sistema hidráulico. Itens como pias, mostruários e divisórias já estão no local.

“Aqui e em outras acomodações do mercado, dispomos uma combinação de lâmpadas claras e amarelas. As primeiras para economia de energia, pois são fluorescentes, e as segundas, incandescentes, para manter o aspecto dos alimentos”.

“Alguns reparos nos vitrais estão em andamento, mas o teto de madeira está pronto. A estrutura metálica também passa por acabamento”, prosseguiu.

Praças de Alimentação

Situadas entre os pavilhões do Peixe, Central e da Carne, as praças de alimentação Leste e Oeste serão espaços com piso de pedra miracema. Os estabelecimentos, no entanto, terão chão com cerâmica e bancadas de inox. “O teto será metade aço galvanizado, metade policarbonato”, descreveu, referindo-se às estruturas que dão ar de modernidade ao mercado.

Na Praça de Alimentação Oeste, uma escada descoberta por arqueólogos ornará o setor como monumento. “O acesso, porém, assim como em todo o mercado, será via rampas de acessibilidade e outras escadas”, ressaltou. Serão 11 permissionários em cada praça.

Pavilhão Pará

Passando por um processo de pintura em alto-relevo, o Pavilhão Pará deverá acomodar um café, de acordo com Jackson. Ao ser questionado a respeito da necessidade de sistemas de ventilação, ele reforçou que o projeto dá exclusividade a entradas de ar natural.

Pavilhão das Tartarugas

Mesmo sem comercializar mais quelônios, o Pavilhão das Tartarugas manterá o nome. Os produtos principais, porém, serão hortifrutigranjeiros. A capacidade será de 24 permissionários. “A cerâmica e os vitrais não existiam antes. A ideia é manter um padrão próximo dos outros espaços”.

Pavilhão Central

Ainda com boa parte em areia, o piso do Pavilhão Central será completamente formado por pedra lioz (Portugal). Por conta da ‘contemporaneidade’ dos boxes instalados no setor, todos foram demolidos para darem lugar a novos.

“Serão dois modelos de box. Um maior, com mezanino e dois balcões para mostruário de alimentos. O outro, menor, terá entradas para dois lados. Ambos terão piso de porcelanato”, disse Jackson. “Aqui, os produtos principais serão artesanato e estivas em geral”, complementou, ao informar que 64 permissionários trabalharão no lugar.

Pavilhão Amazonas

Com piso original mantido, todo feito em pedra lioz, o Pavilhão Amazonas será destinado ao artesanato. “Parte das pedras do entorno foram retiradas para passar por um processo de aperfeiçoamento da base. Todas, claro, foram numeradas para retornarem aos devidos lugares”.

Pavilhão da Carne

Com dimensões iguais a do Pavilhão do Peixe, o Pavilhão da Carne passa por assentamento de azulejos no piso e restauro da estrutura de metal. “O teto terá a madeira original mantida”, assegurou Jackson.

Central de Abastecimento

À frente do Pavilhão da Carne, três reservatórios com capacidade para 30 mil litros abastecem o mercado e fornecem água para a brigada de incêndio.

‘Bomboniéres’

Próximos aos pavilhões do Peixe e da Carne, dois espaços batizados de ‘bomboniéres’ também serão cedidos a permissionários. “A priori, é chamado assim, mas quem definirá o tipo de comércio será a Prefeitura”.

Pavilhão Frontal

Com 17 lojinhas, o Pavilhão Frontal exerce o papel de ‘cartão de visita’ do mercado para a cidade. Reformados, esses espaços contam com um piso e um ‘semipiso’, destinado ao armazenamento de produtos. A escada que dá acesso à área superior se destaca ao suportar o modelo presente na casa de Alberto Santos Dumont. “A pessoa é obrigada a começar com o pé direito”, ressaltou Jackson.

Na área superior, um mirante proporciona uma visão total do Pavilhão Central. O espaço, entretanto, não deverá acomodar a direção do mercado. “O local ainda conta com um antigo brasão de Manaus, em alto-relevo, que passa por restauração”, apresentou o engenheiro. Outra escada dá acesso, mais acima, à sala do relógio do mercado. “Instalaremos um relógio interno digital que controlará o analógico do lado de fora”.

“Tem até algo curioso que vamos recuperar nesse processo que é o Sino da Creolina. Na época em que não havia refrigeração para os alimentos, assim que o relógio assinalava 11h, quem vendeu vendeu e que não vendeu tinha creolina jogada sobre os alimentos”, informou.

Completam a área superior do Pavilhão Frontal dois restaurantes. “Pelas áreas, eles terão capacidades para 30 a 40 pessoas”, disse. Esse setor também contará com elevadores de acessibilidade.

Áreas livres

Assim como a praça que será erguida na entrada do mercado virada para o Rio Negro, os espaços entre os pavilhões serão destinados ao trânsito livre de pessoas.

Ritmo acelerado

De acordo com Jackson, a proximidade com o dia 24 de outubro exigirá um aumento na equipe de colaboradores e empreiteiros, mas a ideia é que tudo fique pronto a tempo. “Há muito a fazer, mas temos tudo pré-definido e isso auxilia a execução do projeto”, encerrou o engenheiro.