Em nota, CMA omite participação de onça morta em cerimônia da tocha olímpica

CMA diz que onça Simba era a protagonista do evento e que Juma estava no zoológico, onde foi morta, para fazer exames. 

Manaus – O Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou, em nota publicada em seu site oficial na internet, que a onça Juma, morta após participar da cerimônia de revezamento da tocha olímpica na última segunda-feira, estava no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), onde ocorreu a solenidade e a posterior morte do animal, “por coincidência”.

Segundo a nota, a onça Simba, mascote do Cigs, era a “protagonista do evento da passagem da Tocha Olímpica” e Juma, mascote do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (1º BIS), “estava, por coincidência, no Centro de Veterinária do CIGS no mesmo dia do evento, para realização de revisões e cuidados da saúde como, por exemplo, a limpeza da cavidade bucal e a medição boimétrica para acompanhamento do estado de higidez da onça”.

A nota do Exército, no entanto, não cita que Juma foi, de fato, parte da cerimônia. Tanto Simba quanto Juma foram apresentadas durante a cerimônia, o que levou o comitê olímpico a reconhecer o erro em usar o animal no ato festivo.

Dividida em vários momentos,  a cerimônia começou com a tocha sendo recebida por 12 mulheres que integram o segmento feminino do Exército Brasileiro, que acompanharam o trajeto até que a chama chegasse à onça Simba, onde houve a passagem da tocha do primeiro para o segundo condutor.

Em seguida, a tocha seguiu um percurso dentro da unidade militar, passando pela área do zoológico  e chegou até à onça Juma, onde houve o ‘beijo’ entre as tochas, na passagem do terceiro para o quarto condutor.

Confira a sequência de fotos da cerimônia

Lutador Waldeci Silva recebe a tocha na entrada do CIGS. / Foto: Isabelle Marques

Cabo Peter Kehinde é o segundo a conduzir a tocha / Foto: Jair Araújo

Cabo Peter passa a chama para o sargento Tomazini, em frente à onça Simba / Foto: Jair Araújo

Sargento  Ednei Tomazini conduz a tocha na área do zoológico / Foto: Jair Araújo

Sargento  passa a tocha para Igor Simões, em frente à onça Juma. ‘Beijo das tochas’ ocorreu no zoológico, onde o CMA diz que Juma fazia exames / Foto: Jair Araújo

Resposta

O posicionamento oficial do Exército foi feito após o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) notificar o CMA pedindo esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte de Juma. Segundo o órgão, apenas Simba foi autorizado a participar da cerimônia pelo órgão ambiental.

Em entrevista concedida ao D24am na manhã desta segunda-feira, o chefe de comunicação social do CMA, coronel Luiz Gustavo Evelyn, disse que Juma não saiu do seu habitat natural, por isso não precisava de autorização para participar da cerimônia. “Ainda não fomos notificados, mas quando recebermos, por meio, da nossa assessoria jurídica, vai ser feito um pronunciamento devido. O 1º BIS e o CIGS são unidades uníssonas. Não existe muro. O local de zootecnia, responsável pelo tratamento rotineiro desses animais, é uma sessão dentro do CIGS. Para participar da cerimônia, eles não saiu do seu habitat. Não foi colocado em uma viatura, por exemplo\”, explicou o coronel.

 

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