Garantido faz uma homenagem ao santo festeiro

Tradicional ‘Ladainha’ do boi vermelho e branco foi entoada pro crianças e adultos no Curral da Baixa do São José

Parintins – Uma promessa a São João Batista. Foi assim que nasceu o Boi-Bumbá Garantido, através da fé de seu fundador, o mestre Lindolfo Monteverde que, aos 11 anos de idade, teve uma grave doença e pediu ao santo que fosse curado. Como foi atendido, prometeu que colocaria nas ruas o boi do coração. Assim, nascido de uma família católica, todos os anos, no dia 24, dia de São João, o boi Garantido faz uma homenagem ao santo festeiro, com a tradicional Ladainha do Boi.

Rezas e cânticos foram entoados por crianças, jovens e adultos, admiradores do Garantido, na noite desta quinta-feira, no Curral da Baixa do São José, em Parintins (a 369 quilômetros de Manaus).  A Ladainha mostra o lado religioso do bumbá vermelho e branco e é mantida pelos familiares de Lindolfo, mesmo depois de sua morte, em 5 de julho de 1979. “Ele fez um último pedido antes de morrer. Só falava da Ladainha, para manter a Ladainha e o boi”, disse a irmã do fundador, Maria do Carmo Monteverde, 72 anos.

Segundo ela, Lindolfo fez a promessa porque tinha muita fé. Ele acreditava que alcançaria a graça e alcançou. A partir daí criou a tradição. “Sempre no dia 24 nós fazemos a Ladainha, onde rezamos, cantamos e louvamos a Deus, aos santos e a Nossa Senhora. É uma conversa com Deus”, afirmou.

Alguns moradores da Baixa participam da Ladainha todos os anos. É o caso de Francisco de Souza, 69, que desde menino acompanha a tradicional celebração. “Desde criança nós fazíamos fogueira para São João e a reza é muito boa, quando acaba a gente fica com um sentimento bom no coração. É uma tradição que deve continuar. Eu, enquanto estiver vivo, vou participar”, disse.

O Amo do Boi Garantido, Tony Medeiros, que é católico, disse que todos os anos acompanha a Ladainha. E lembra com saudades do tempo em que, depois da reza, brincava com o boizinho de pano e os amigos no curral. “O boi é uma festa de São João. Antes, era uma festa junina, começava aqui no curral, com as quadrilhas e os bois, que cresceram tanto e agora têm um festival próprio, grandioso”.