Índios Saterê-Mawe reclamam das casa de saúde indígena de Maués

Segundo eles, as outras casas de saúde não têm estrutura para atender aos pacientes.

Manaus – Índios Saterê-Mawe vieram a Manaus reclamar das péssimas condições da  Casa de Saúde Indígena de Maués (Casai-Maués), a 277 km de Manaus. Entre as reclamações, eles alegam que dos quatro pólos existentes na localidade, apenas um está em funcionamento.

Segundo eles, as outras casas de saúde não têm estrutura para atender aos pacientes. O indígena Samuel Lopes, 49, informou que todos os pacientes ficam em um mesmo ambiente. “Eles misturam pessoas com tuberculose, com paciente gripado, com mães que acabaram de dar à luz, com acompanhantes, entre outros. Ficam todos aglomerados em um pequeno espaço”, denunciou.

Além disso, ele contou que os banheiros estão sem condições de uso e que as  redes de repouso dos índios são armadas em pequenos ferros improvisados. “Está tudo precário, nosso pólo de Vila Nova atende mais de 16 comunidades de forma desumana e, além disso, falta medicamento”.

Samuel contou que os medicamentos receitados não são disponibilizados no Casai, fazendo com que os índios tenham que se descolar até a cidade para comprar o remédio. “As vezes não temos o dinheiro para o remédio, pois como estamos doentes, não temos como trabalhar. Pedimos também para que os medicamentos sejam dados a quem precisa”, disse.

Um dos pedidos dos indígenas é que sejam disponibilizados também mais profissionais de saúde nos pólos. “Falta dentista, pediatra e outros profissionais. Com isso, nós precisamos ir até a cidade, mas muitos companheiros nossos são tímidos e não gostam de se misturar com os brancos, então isso gera certo constrangimento e dificuldade no tratamento”, contou Samuel.

O índio Inácio da Silva, 49, ressaltou que eles também sofrem para fazer o registro civil. “Tem dois cartórios em Maués e os dois cobram uma taxa de R$18 para a certidão negativa, mas nós sabemos que em Manaus e em outras localidades essa emissão é gratuita”.

O vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Assuntos Indígenas da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALEAM), o deputado estadual Sidney Leite (DEM), informou que vai entrar com uma ação no Ministério Público Federal (MPF), para que a situação seja apurada, pois segundo ele, houve várias tentativas de conversa com o atual secretário de saúde do Amazonas.

“Nós já tentamos inúmeras vezes marcar uma audiência com o secretário de saúde, e ele não nos atende. Portanto iremos encaminhar toda a documentação para o Ministério Público Federal para resolvermos esse problema que é muito grave”, informou o deputado.

Ele comentou também sobre os alimentos que são comprados pelo Departamento de Saúde Indígena de Parintins (a369 quilômetrosde Manaus) e encaminhados para Maués. Segundo ele, não há critério no envio do alimento. “A Casai-Maués, muitas vezes, recebe produtos perecíveis como cebola, por exemplo, em quantidade para ser usada o mês inteiro e os alimentos acabam estragando. Não há um diálogo entre a atual coordenadora do departamento de Parintins com Maués, com isso os índios acabam sem alimentos de valor nutricional que precisam para o tratamento”, informou.

Segundo o Ministério da Saúde, a Casai-Maués atende em torno de 60 indígenas por dia, com uma média de permanência de 13 dias. O município de Maués possui cerca de 4 mil índios da etnia Saterê-Mawé, distribuídos em 33 comunidades ao longo do Rio Marau.

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