Maioria de barcos no Amazonas joga resíduos direto no rio

Proprietários de embarcações regionais alegam que sistema de tratamento de água tem custo elevado.

Manaus – A maioria das embarcações que navegam pelos rios da região não possui sistema de coleta e tratamento de dejetos. A reportagem esteve na área da Manaus Moderna, de onde parte a maioria dos barcos para municípios do Amazonas e constatou que os resíduos dos banheiros são lançados diretamente no Rio Negro, sem nenhuma forma de tratamento.

De acordo com os responsáveis e proprietários de embarcações ouvidos pela reportagem, o despejo dos dejetos sempre foi e continua sendo feito diretamente no rio e não há nenhum órgão para fiscalizar e impedir a prática.

Segundo Oswaldo Andrade, responsável por uma embarcação que atende municípios no entorno do Rio Purus, não há nenhuma recomendação feita por órgãos públicos do meio ambiente sobre a destinação dos resíduos.

José Alberto, responsável por um barco que realiza fretes para municípios do interior, disse que os resíduos do banheiro e da cozinha são lançados na água, independentemente do local onde esteja a embarcação. “Pode estar no meio do rio ou na beira, os resíduos do banheiro vão direto para a água”, contou.

Dono de um barco de passeio, Sérgio Lira destacou que hoje só as grandes embarcações, principalmente pertencentes a empresas, utilizam um sistema de coleta que trata os resíduos e despeja a água tratada no rio. Lira disse que o equipamento chega a custar R$ 25 mil. “E não é tão fácil de encontrar também. Como não há exigência por parte de nenhum órgão, a maioria dos barcos continua jogando direto na água”, afirmou.

De acordo com a Portaria nº 48, de 1º de junho de 1995 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para obter a autorização para navegação, seja embarcação procedente ou não do exterior, uma das recomendações é que o deságue do tanque de retenção de águas residuais seja feito só após o tratamento do material recolhido.