Pássaros e tartarugas são espécies mais ameaçadas pelo tráfico de animais, na Amazônia

Relatório ‘Tráfico de Vida Selvagem no Brasil’, mostrou que o Brasil precisa melhorar no combate ao tráfico de animais

Manaus – Uma pesquisa divulgada pela organização não governamental (ONG) Traffic, mostrou que o Brasil ainda precisa melhorar no combate ao tráfico de animais silvestres. O relatório intitulado ‘Tráfico de Vida Selvagem no Brasil’, mostrou que os animais mais retirados ilegalmente de seu habitat são as tartarugas fluviais, peixes ornamentais, frutos do mar e aves, o que aumenta o número de animais em extinção.

Espécies mais ameaçadas pelo tráfico de animais e que estão em extinção, são os pássaros e tartarugas (Foto: Francisco Rodrigues/Divulgação)

Segundo a autora da pesquisa ‘Tráfico de Vida Selvagem no Brasil’, Juliana Machado, são muitos os fatores que colocam os animais em extinção, um deles é justamente o compartilhamento de dados a respeito do tráfico de animais silvestres que é retratado no estudo, apesar da grande apreensão feita pelos órgãos federais.

“Muita coisa está sendo feita no Amazonas, mas devido às fronteiras com mata e rios extensos, é muito difícil você ter um combate efetivo na atividade ilegal. Uma maneira de melhorar, seria a coordenação de diferentes agências em diferentes níveis de governo, principalmente na qualidade de aquisição e cuidados com os dados de apreensão. Seria importante tomar cuidado com a identificação dos animais e a forma como esses dados são consolidados e divulgados, essa seria uma maneira”, explicou.

Na Amazônia, as espécies mais ameaçadas pelo tráfico de animais e que estão em extinção, são os pássaros e tartarugas, porém os peixes e o turismo predatório são fortes concorrentes segundo a também autora da pesquisa, Sandra Charity. “É responsabilidade ética do ser humano cuidar de todas as espécies vivas e isso é o que nós não estamos fazendo”, completou.

Para o doutor em ecologia, Rogerio Fonseca, o estudo mostra a realidade do tráfico de animais na região do Amazonas, o que evidência a vulnerabilidade das leis no combate da comercialização ilegal dos animais de origem silvestre no Estado.

“Esse desejo das pessoas por quererem animais silvestres, acaba abrindo precedentes para o mercado ilegal. Hoje boa parte da comercialização de animais silvestres acontece de forma ilegal, quando isto acontece abre um processo perigoso, podendo causar a defaunação de espécies, que no mercado ilegal, tem grande valor financeiro por ser rara”, disse.

Ainda segundo Fonseca, uma das consequências do tráfico de animais silvestres, são as frequentes aparições no meio urbano. Isso ocorre, pois muitas das vezes quando o animal é adquirido filhote e quando cresce, o dono o solta em área urbana.

“Muitos de nós não consegue interpretar o perigo que tem também de ser manter um que não pode ser mantido em cativeiro. Um exemplo é o nosso iguana que foi parar nos Estados Unidos, se procriou em grande escala e é considerada uma praga. Isso é um exemplo de como o tráfico afeta a natureza”, finalizou.

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