Retirada de cães afeta testes contra o câncer, diz cientista

Doutor em biofísica, Marcelo Marcos Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

Manaus – A retirada dos 178 cães da raça Beagle do Instituto Royal, no interior de São Paulo, na madrugada de sexta-feira, vai comprometer as experiências para a criação de um novo medicamento contra o câncer.

A informação foi dada ao jornal Folha de S. Paulo pelo médico e cientista Marcelo Marcos Morales, um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.

Para ele, houve danos incalculáveis para a ciência e prejuízos às pessoas que seriam beneficiadas pelos medicamentos. “Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo”, disse ele, à Folha.

O médico não pôde revelar detalhes sobre o medicamento que estava sendo produzido, mas informou que era uma droga produzida fora do País e que teve sua patente quebrada, possibilitando sua produção no País.

Doutor em biofísica, Morales afirma que os cientistas “também não querem trabalhar com animais”, mas que o método é ainda o mais eficaz para testes de tratamentos médicos e vacinas.

“Seria possível não nos alimentarmos mais com carne? Com pesquisa é a mesma relação. Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”