União vai explorar reserva de potássio no Amazonas, avisa Dilma

Jazida de silvinita em Nova Olinda do Norte, no sul do Amazonas, deve tornar o país autossuficiente na produção de fertilizantes, já que o potássio é o principal insumo.

Manaus – A presidente da República, Dilma Rousseff, afirmou, ontem,  que o Brasil vai  explorar a jazida de silvinita  do Amazonas, de propriedade da Petrobras. A maior reserva do mundo de silvinita, de onde é extraído o potássio, fica na região do município de Nova Olinda do Norte (a 135 quilômetros a sudeste de Manaus). O potássio é o principal insumo para os fertilizantes.

De acordo com Dilma, o Brasil irá perseguir a autossuficiência na produção de fertilizantes, insumos essenciais na produção agrícola e que influenciam diretamente no preço dos alimentos que chegam aos consumidores brasileiros. “Nos queremos ser autossuficientes em fertilizantes. É um absurdo importar 60% (do consumo interno) porque vamos ficar na mão sempre de oscilações muito grandes do mercado. Vai ter momentos que eles (os fabricantes de fertilizantes) vão cobrar de nós preço de ouro”, disse ela em discurso na cidade mineira Uberaba, acrescentando que o Brasil irá investir cerca de R$ 11 bilhões na área de fertilizantes.

A presidente lembrou que durante a crise financeira mundial de 2008, que provocou a alta dos preços dos alimentos, o governo tomou a decisão de aumentar a produção brasileira de fertilizantes.

A exploração da reserva no Amazonas daria para suprir toda a demanda de fertilizantes do País, que atualmente importa mais da metade do minério utilizado para este fim, e ainda sobraria para exportar.

A incidência de silvinita em Nova Olinda do Norte já é conhecida desde a década de 80, quando a Petrobras descobriu a jazida de Fazendinha, com capacidade de exploração de 1 bilhão de toneladas do minério, segundo levantamentos iniciais. No local, a companhia encontrou petróleo nos anos 50. Mas, até hoje, o projeto ainda não saiu da fase de pesquisa.

Em 2009, outra empresa, a Potássio Brasil, anunciou a descoberta de uma área de silvinita próxima à concessão da Petrobras. A jazida está a 841 metros (m) de profundidade,  enquanto que nos poços da Petrobras,  a silvinita foi encontrada a 980 m e até 1,2 mil metros, com teor médio  de 32,59%.

O Brasil consome pouco mais de 4 milhões de toneladas de potássio por ano. Cerca de 90% deste total é importado, sobretudo do Canadá e da Rússia, dois grandes produtores do nutriente.

Na cerimônia em Uberaba foi assinado um protocolo de intenções entre a Petrobras, o governo de Minas Gerais e a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) para a construção de uma fábrica de amônia na cidade. Assim como o potássio, a amônia é usada para a produção de fertilizantes e, com a fábrica, a intenção é reduzir a necessidade de importação de amônia, que atualmente vem, principalmente, de Trinidad e Tobago e da Venezuela.

Petrobras desfez contrato para extrair minério

Quando era ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff cancelou o negócio de R$ 150 milhões firmado entre a Petrobras e a Falcon Metais Ltda., uma subsidiária brasileira da companhia canadense controlada pelo banco mercantil Forbes & Manhattan. A empresa venceu a licitação aberta em 2008 pela Petrobras para explorar a jazida que se espalha pelos municípios de Nova Olinda do Norte, Itacoatiara, Itapiranga, Autazes, Borba, Silves e São Sebastião do Uatumã.

A justificativa do governo foi por razões estratégicas, ao anunciar  que começava a preparar a mudança na legislação de exploração mineral, o novo Código Mineral, que atualmente está sendo elaborado.

Além da empresa, a decisão não agradou setores do próprio governo, como o então ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinholds Stephanes. A pasta enfrentava pressões dos grandes produtores com os elevados custos na importação de fertilizantes pela elevação dos preços em meio à forte demanda internacional, antes da crise financeira mundial.