Vitória em feira nos EUA impulsiona estudos biológicos no AM, diz campeã

Tainá Gonçalves, de 18 anos, criou o projeto Harpia ao lado de Valdeson Dantas, de 19, e conquistou prêmio internacional em Nova York

Manaus – Vencedor da medalha de ouro da categoria Ciências da Genius Olympiad, o projeto Harpia prevê o reconhecimento e monitoramento de ninhos de gaviões reais através da vocalização dos animais adultos em reservas florestais. O sistema, fundamental para o trabalho dos biólogos, poderá ser ampliado e utilizado com outras espécies de aves, segundo seus desenvolvedores.

Criado por dois estudantes universitários de Manaus, Tainá Gonçalves, de 18 anos, e Valdeson Dantas, de 19, o Projeto Harpia foi credenciado para a Genius Olympiad, evento mundial de iniciação científica realizado na Universidade de Nova York (EUA), após receber o terceiro lugar da última edição da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada em março deste ano, em São Paulo.

Para Tainá, a conquista do primeiro lugar na Genius Olympiad, onde o Harpia concorreu com mais de 300 projetos de iniciação científica do mundo inteiro, representa uma grande vitória para os estudos biológicos do Amazonas.

“Só de já termos sido credenciados para esse evento, representa muito pra nós, que quando começamos a desenvolvê-lo só pensávamos em fazer um Trabalho de Conclusão de Curso. Imagina vir aos Estados Unidos e sair com o primeiro lugar!”, explicou a ex-estudante do ensino médio integrado ao curso técnico de Telecomunicações da Fundação Nokia.

Segundo ela, o Harpia tem como objetivo principal ajudar os biólogos a encontrar mais rapidamente ninhos de Gavião Real, através da utilização do sistema de vocalização do animal adulto.

“Para o programa de conservação do Gavião Real o maior problema sempre foi encontrar os ninhos. Agora, com a ajuda do Harpia, eles deverão encontrar muito mais rapidamente os ninhos, protegendo-os assim de seus predadores e ajudando na conservação da espécie”, afirmou a estudante do curso de Engenharia da Computação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Ainda segundo a desenvolvedora, com a vitória o projeto passou a ganhar mais visibilidade e, consequentemente, oportunidades de desenvolvimento. “O Inpa ficou super interessado no projeto e até nos ofereceu um lugar na Reserva Ducke para realizarmos os testes em campo”, disse Tainá Gonçalves, ressaltando que um protótipo do equipamento com o sistema de transmissão foi construído e testado em laboratório, “onde funcionou perfeitamente bem”.

Elaborado durante o terceiro ano do ensino médio sob a orientação do professor de eletrônica, Marcelo Ribeiro, o Projeto Harpia proporcionou também aos jovens a possibilidade de um intercâmbio cultural. “Fora toda a conquista tecnológica, ainda tivemos essa conquista cultural de poder visitar um país totalmente diferente do nosso e apresentar o trabalho para pessoas que nunca imaginávamos conhecer. Foi uma troca de experiência indescritível”, concluiu Tainá, que, em companhia do professor e do colega de projeto, regressa a Manaus neste domingo (22), todos premiados com medalhas, certificados e tablets.

 

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