Bomba: vice-governador culpa Wilson Lima pelas mortes por falta de oxigênio no Amazonas

Carlos Almeida afirmou que Wilson Lima transformou o estado, principalmente Manaus, em um laboratório gerador da nova cepa de Covid-19 que matou milhares de pessoas

Manaus – Duras verdades foram ditas pelo vice-governador Carlos Almeida Filho contra o líder do Governo do Amazonas, nesta quinta-feira (6), em entrevista à um jornal de renome nacional. Almeida afirmou que Wilson Lima transformou o estado, principalmente Manaus, em um laboratório gerador da nova cepa de Covid-19 que matou milhares de pessoas. Nos últimos dias, esta coluna divulgou uma nota de esclarecimento, onde o vice-governador explica sobre o rompimento com o governador e a perseguição que seus funcionários e familiares sofreram.

Investigação

Em entrevista à Folha de São Paulo, o vice comentou novamente sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que acusou o governador Wilson Lima, o vice e outras 16 pessoas por crimes como organização criminosa, fraude à licitaram, entre outros. “A Polícia Federal, em 448 páginas, analisa minha conduta, esquadrinha minha vida, fez isso através até de busca e apreensão, e concluiu que eu não sou responsável pelos atos que foram praticados”, disse.

Rompimento

No dia 30 de abril, esta coluna citou sobre o rompimento do vice com o Wilson Lima foi motivado por ‘não se misturar com quem pratica o errado’. “Meu comportamento sempre foi de gestor, não concordava com nenhuma medida de irregularidade. Justamente no momento que tomei ciência das denúncias, por causa da compra escandalosa de respiradores, entendi que minha posição seria de não estar mais junto no governo do estado”, explicou.

Pandemia

Sobre o caos na saúde pública, agravada pela pandemia de Covid-19, o vice disse que Manaus foi o laboratório do governador Wilson Lima. “Essa responsabilidade é muito clara, é do próprio governo do Amazonas. Quando houve envolvimento do governador na operação em junho, com muita contundência, com pedido de prisão, a estratégia dele explícita foi mostrar alinhamento com as políticas de combate à pandemia do governo federal. E pra isso, contrariamente às medidas sanitárias que deveriam ser aplicadas, o Amazonas deixou de tomar as medidas e deixou a P1 ser gerada (cepa do coronavírus). Quem diz isso são os especialistas, a P1 foi gestada entre outubro e novembro, quando se cobrava do governador medidas de contenção”, falou.

Imunidade rebanho

Para Almeida, ficou claro que a posição de Wilson Lima era afirmar que o estado tinha uma imunidade de rebanho. “O que acabou acontecendo foi um laboratório, a P1 encontrou ambiente adequado. Porque as políticas de saúde naquele momento poderiam implicar em enfrentamento às políticas do governo federal, poderia enfraquecer o governador mediante a exposição criminal. Isso ficou explícito na presença constante dele em Brasília nesse meio tempo, tentando buscar socorro ou no mínimo uma simpatia política no caso de algo mais grave”, citou.

Oxigênio

O vice-governador disse que a crise de oxigênio, em janeiro deste ano que matou dezenas de pacientes, foi de responsabilidade de Wilson Lima, que só acionou o governo federal quando o cenário era irreversível. Almeida afirma que a empresa White Martins avisou com antecedência sobre o “estouro” no abastecimento do insumo para tratar pacientes. “O governador não queria demonstrar que havia má administração”, disse.

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