Central de Medicamentos do governo Wilson Lima compra EPIs com indício de superfaturamento de 50%

Documentos obtidos com exclusividade apontam indícios de superfaturamento de 50% na compra de macacão impermeável pela Cema da Secretaria de Saúde do Amazonas

Manaus – Os escândalos na saúde pública durante a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) não param de ser tirados de baixo do tapete e revelados para a população do Amazonas. Documentos obtidos com exclusividade apontam indícios de superfaturamento de 50% na compra de macacão impermeável pela Central de Medicamentos (Cema) da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam).

Combate ao coronavírus

No período da pandemia do novo coronavírus no Amazonas, diversos setores da saúde do governo iniciaram a preparação no combate ao vírus, principalmente para os profissionais da linha de frente, com a compra de equipamentos de proteção individual (EPIs) como máscaras, luvas, macacões, viseira, entre outros. Mesmo com essas aquisições, muitos profissionais da saúde relatavam a falta de EPIs ou a necessidade de racionamento por ter pouca quantidade em estoque.

Macacão impermeável

No Portal da Transparência do Amazonas consta que, em maio deste ano, a Cema fechou uma compra grande com a BDS Confecções Ltda., mais conhecida como Bicho da Seda, para aquisição de material hospitalar para atender à demanda da rede estadual de saúde no enfrentamento a Covid-19. Por dispensa de licitação, a BDS Confecções vendeu mil macacões impermeáveis por R$ 215 mil. Cada unidade do macacão saiu por R$ 215.

Superfaturamento de mais de 50%

Documentos obtidos com exclusividade por esta coluna, mostram que o Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH) adquiriu poucos dias antes, em abril, os mesmos macacões impermeáveis, na BDS Confecções Ltda, mesma empresa da qual a Cema adquiriu os macacões em maio. Uma atitude normal para o período onde as unidade de saúde precisavam estar equipadas. Mas, o que chama a atenção e que aponta indícios de superfaturamento, é que o INDHS comprou 500 unidades de macacão impermeável, por R$ 140 cada. Uma diferença de R$ 75 entre o preço praticado na venda para a Cema.

Indícios de sobrepreço

A diferença de venda do mesmo produto adquirido, representa o valor de R$ 75 a mais no preço pago por unidade de macacão impermeável pela Cema. Essa diferença de preço aponta o sobrepreço de mais de 50% praticado pelo BDS Confecções na venda dos macacões para a Cema. O curioso é que o INDHS comprou 500 unidades pelo preço unitário de R$ 140, já a Cema, mesmo comprando o dobro de quantidade, mil unidades de macacões, pagou por cada um R$ 215. Ou seja, mesmo comprando uma quantidade grande, o Governo do Amazonas ainda paga o valor mais caro pelo mesmo produto do que outras unidade de saúde.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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