Com variante Delta no AM, governo fecha hospital e faz evento teste para 3 mil pessoas

Semana passada, o Governo do Amazonas publicou oficialmente o fechamento dos serviços do Hospital de Campanha

Manaus – A expectativa de todos os amazonenses é que a ‘normalidade’ volte ao Estado para que a incerteza, tristeza e exaustão que a pandemia de Covid-19 causou em todos, esteja apenas na memória. Por outro lado, os gestores políticos são aqueles que devem ouvir, além do clamor popular, os dados reais para que as decisões em prol do bem-estar e saúde de seu povo, sejam preservados. Semana passada, o Governo do Amazonas publicou oficialmente o fechamento dos serviços do Hospital de Campanha. Esta coluna conversou com um especialista em epidemiologia que criticou a decisão, ressaltando ser uma atitude precipitada já que foram registrados casos da variante Delta.

Pandemia da Covid-19

O epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana, que alertou antecipadamente sobre a chegada da segunda onda de casos, analisou o cenário atual amazonense e a decisão do fechamento da unidade para tratamento de pacientes infectados. Orellana relembra que a decisão já havia sido anunciada. “O encerramento das atividades no Hospital de Combate à Covid-19 Nilton Lins estava previsto para acontecer até o dia 31 de julho. O curioso é que essa determinação se deu em plena retomada da segunda onda do novo coronavírus em Manaus, a qual critiquei por entender que era uma medida precipitada. A Portaria nº 456/2021 – GAB/SES-AM, mostra o sensato recuo do Governo Estadual e toma por base acontecimentos recentes, como a comprovada circulação da variante Delta em Manaus e Parintins, desde o fim de julho de 2021”, disse.

Normalidade ou Precaução

Questionamos ao epidemiologista Jesem Orellana, se o Amazonas corre o possível risco de uma nova onda de casos. “Sim existe esse risco, especialmente se consideramos a vigência da provável transmissão comunitária da variante Delta em Manaus, pois a mesma circula há ao menos 30 dias na capital e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) não deu nenhuma prova de que fez oportuno e efetivo rastreamento desses casos e de seus contatos, no sentido de romper a cadeia de transmissão dessa variante de preocupação no Estado”, alertou.

Desgoverno

A falta de acompanhamento e a ingerência da gestão pública, podem ser um dos fatores para que a variante se espalhe pelo Amazonas. “Por exemplo, novos surtos podem ocorrer a qualquer momento, especialmente porque o transporte coletivo opera visivelmente em condições precárias, estando lotado em horários de pico e também estamos com 100% do ensino presencial e inúmeras medidas sendo relaxadas no setor de serviços e lazer”, apontou Orellana.

Evento ‘teste’

O Governo do Amazonas divulgou a realização de um evento teste para três mil pessoas neste mês de setembro, ressaltando que é necessário para a cadeia econômica que depende dos eventos. Segundo a FVS-AM, 18 casos da nova cepa já foram identificados. “As declarações do Governo deixam a sensação que está tudo sob controle e afirma que não estamos em transmissão comunitária da Delta em Manaus, o que não passa de achismo. Esse conjunto de afirmações do governador Wilson Lima, contradiz o próprio Decreto”, frisou o epidemiologista.

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