CPI da Pandemia deixa Wilson Lima de orelha em pé

Governador foi apontado como ‘líder de organização criminosa’ no esquema de superfaturamento dos ventiladores pulmonares que foram comprados em uma loja de vinhos

Manaus – Com o andamento para a instalação dos trabalhos da CPI da Pandemia no Senado Federal, a Polícia Federal se movimenta para intensificar as investigações contra os estados que tiveram casos de corrupção com o objetivo de atender o clamor da população e também para subsidiar à CPI. Segundo os bastidores políticos, um dos alvos da PF, poderia ser o Governo do Amazonas e o governador Wilson Lima que no início da pandemia de Covid-19 foi apontado como ‘líder de organização criminosa’ pela Procuradoria Geral da República no esquema de superfaturamento dos ventiladores pulmonares que foram comprados em uma loja de vinhos.

CPI da Pandemia

Em Brasília, a primeira reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia do Congresso Nacional está prevista para acontecer ainda nesta semana, na quinta-feira (21) com a eleição do presidente e vice-presidente do colegiado. Os apontados para assumir é o senador do Amazonas Omar Aziz na presidência e o senador do Amapá Randolfe Rodrigues como vice.

No rastro da PF

Segundo os bastidores políticos, com a instalação da CPI da Pandemia, as investigações da Polícia Federal (PF) vão se intensificar e a mira são os estados que tiveram casos suspeitos ou comprovados de corrupção. Entre os alvos está o Amazonas, principalmente o governador do Estado, Wilson Lima. Neste mês, completa um ano que o Amazonas estampou todos os jornais do Brasil e do mundo com a notícia de que o governo pagou R$ 2,9 milhões a uma loja de vinhos para fornecer 28 ventiladores pulmonares para tratar infectados pela Covid-19. Poucos meses depois, Wilson Lima foi alvo dos investigadores durante a Operação Sangria que apura fraude e superfaturamento em contrato de fornecimento de ventiladores mecânicos hospitalares.

Fraude na pandemia

Na deflagração da operação em 30 de junho do ano passado, foi solicitada pela PF a prisão do governador Wilson Lima, que foi negada pelo ministro Francisco Falcão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). No despacho que autorizou o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em imóveis de propriedade do governador e a sede do governo, além da prisão temporária de oito pessoas, o ministro do STJ cita trecho de ofício enviado pela Procuradoria Geral da República (PGR) sobre os fatos investigados. “Os fatos ilícitos têm sido praticados sob o comando e orientação do governo do estado do Amazonas, Wilson Miranda lima, o qual detém domínio completo e final (…)”. Cada ventilador comprado pelo governo, custou quase quatro vezes mais do que o preço de mercado.

Crise do oxigênio

No início deste ano, a capital amazonense sofreu com a crise do oxigênio que matou dezenas de pacientes em tratamento contra a Covid-19 e outras enfermidades. A compra realizada pelo governo do Amazonas de metros cúbicos de oxigênio não foi suficiente para suprir a demanda das unidades de saúde. Cenas de familiares desesperados buscando cilindros de oxigênios, médicos revezando o uso do oxigênio ou transportando cilindros nos próprios carros e longas filas em frente às distribuidoras, deixaram o país perplexo. De quem é a culpa?