Delegado perseguido pelo governo fará denúncia ao MP por crime de corrupção passiva e abuso de autoridade

O delegado de polícia João Tayah foi candidato a vereador de Manaus nas Eleições Municipais 2020 onde recebeu 2.945 votos manauaras

Manaus – Lamentavelmente mais um servidor da segurança pública é perseguido pelo governador do Amazonas. O delegado de polícia João Tayah foi candidato a vereador de Manaus nas Eleições Municipais 2020 onde recebeu 2.945 votos manauaras. Ao retornar da licença eleitoral, descobriu que seria transferido de Manaus para São Paulo de Olivença. O delegado entrou com mandado de segurança contra a decisão e vai fazer fazer uma representação no Ministério Público (MP) contra os responsáveis do Governo do Amazonas pela transferência, solicitando apuração de ato de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de corrupção passiva.

Perseguição

O delegado de polícia João Tayah foi candidato pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para vereador de Manaus nas Eleições Municipais 2020. O profissional contou com exclusividade como descobriu a perseguição sofrida pelo governador do Amazonas, Wilson Lima. “Eu fui pego de surpresa, nós fizemos uma campanha brilhante, propositiva para Manaus e sequer tocamos em nome de governador, até porque era uma eleição municipal e não tinha porque falar de Wilson Lima, apesar de ter muita coisa ruim para falar do governo. Ao retornar da licença eleitoral e me apresentar na Polícia Civil, constatei que havia a Portaria n. 1443/2020, assinada pela Delegada-Geral Emília Ferraz do dia 19 de novembro, me removendo de Manaus para São Paulo de Olivença, ou seja, logo após o primeiro turno, ainda durante minha licença eleitoral”, disse.

Surpresa

O delegado já concorreu outras vezes para cargos políticos e não teve conhecimento de transferências realizadas tão rapidamente pelo governo. “São 15 anos de trajetória e nunca vi isso acontecer. Já é a terceira eleição que participo e o natural é retornar da licença, se apresentar e então verificar a necessidade de serviço. Mas veja, duas semanas antes da minha licença finalizar, eles já haviam decidido”, relatou João Tayah. O estranho é que todos os delegados de polícia que concorreram a cargo nessa eleição, permaneceram em seus postos de serviços.

Política

Para o delegado, a transferência é um claro ataque político. “Esse é um ataque a minha vida em diversos setores. Primeiramente, é um ataque claramente político pois tivemos uma campanha muito forte com 2.945 votos, por pouco menos de 80 votos não consegui alcançar um mandato no legislativo municipal. Então, essa perseguição tem a clara intenção de me afastar deste projeto político que estamos construindo. Mas também é um ataque a minha vida profissional”, explicou.

Governo

Trabalhar no interior não é problema para o delegado João Tayah que já atuou em Nhamundá, onde prendeu o secretário municipal na época e foi removido para Barcelos pelo ex-governador José Melo. “Então, o meu papel no interior foi feito, eu fiz o meu melhor e cumpri a lei, por isso, passei a sofrer perseguições do governante na época. Costumo dizer: Wilson Lima você que está me perseguindo agora, fica a dica, porque o último que tentou foi cassado e preso. Então, fica a dica para quem está me perseguindo do governo, porque a justiça de Deus é única e não falha, quem faz o mal uma hora paga pelo o que está fazendo”, relatou.