Despreparo de Bonates contra narcotraficantes envergonha o nome da Polícia Militar do AM

No domingo, uma reportagem da TV Globo afirma que os policias agiram com brutalidade, fizeram tortura e também, foram acusados de matar ribeirinhos em operação no interior

Manaus – Esta coluna foi dedicada no início de agosto para denunciar o despreparado do secretário de Segurança Pública (SSP-AM), Lourismar Bonates no comando da operação no Rio Abacaxis, em Nova Olinda do Norte, como relatado por Policial Militar. Mas, neste domingo, uma reportagem da TV Globo afirma que os policias agiram com brutalidade, fizeram tortura e também, foram acusados de matar ribeirinhos. Policiais que participaram da operação reafirmaram que não agiram assim e que a população local, com medo, mente e protege o líder do narcotráfico, conhecido como Bacurau.

Operação em Nova Olinda

O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Lourismar Bonates, conduziu sem planejamento a operação para combater o narcotráfico na região do Rio Abacaxis, em Nova Olinda. Os policias que participaram da operação relataram a falta de informações sobre a periculosidade da área, estratégias, equipamentos e principalmente a falta de armamentos adequados para os policiais combater os narcotraficantes. A primeira tentativa da operação resultou na morte de dois PMs. Isso revoltou tropa e familiares.

Visão do policial militar

Diferente do que foi exposto na matéria exibida pela TV Globo, os PMs que participaram da operação contaram outra versão. “Todas as comunidades que foram entrevistadas são complacentes com aquele tipo de crime, porque o bando do Bacurau manda em toda a região. O modo operantes é: os traficantes se infiltram no meio dos ribeirinhos, cobram pedágio para quem quer pescar e o ganho é divido com a comunidade”, disse o PM que pediu para não ser identificado.

Permissão para milícia

Em entrevista, o procurador da República Fernando Soave disse que os comunitários podem parar embarcações e solicitar a permissão para pesca esportiva. “O procurador diz que deu permissão para as comunidades abordarem as embarcações devido à falta do Estado. Desta forma, ele está autorizando uma milícia fora do controle do Estado, é tão claro isso que o próprio procurador tinha contato com os elementos daquela região, associações e comunidades, isso deve ser esclarecido”, indagou.

Pessoas desaparecidas

Segundo o policial, quando a equipe chegou próximo do local do confronto que vitimizou dois policiais, um indígena já estava desaparecido. Na reportagem, eles são acusados por populares de terem matados ribeirinhos. “O bando do Bacurau faz a rota da Boca do Abacaxis até a Comunidade Terra Negra, um percurso de quase duas horas até onde aconteceu o fato. Por isso, quem foi entrevistado nunca vai falar mal, porque quando o bando chega em uma comunidade, ameaçam a todos, colocam fogo em tudo e deixam a população sem liberdade de expressão”, explicou o PM.

Uso da força

Os ribeirinhos afirmaram que foram torturados, agredidos e que os policiais entraram nas casas arrombando as portas. “Não procede isso. As casas no interior ninguém tranca, são familiares que moram envolta. O fato deles estarem fazendo essa contra informação é como acontece nos morros lá no Rio de Janeiro, a polícia não consegue fazer seu trabalho porque uma parte do judiciário impede a continuação do trabalho policial e eles sabem disso”, disse o policial.

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