Desprotegidos e trabalhando com carga dobrada, profissionais da saúde ameaçam paralisar atividades

De acordo com a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Área da Saúde (SindSaúde), Cleidinir Francisca, os profissionais sofrem com a escassez de material e equipamentos

Manaus – Sabemos que não falta dinheiro para gerir a saúde pública do Amazonas, já que no ano passado, mesmo com a pandemia do novo coronavírus, a receita do Governo do Amazonas fechou com R$ 22,5 bilhões. O governo federal enviou bilhões para serem empregados no combate ao vírus, além de respiradores pulmonares, equipamentos de proteção individual (EPIs), entre outros itens necessários. Em entrevista exclusiva ao programa AMAZONAS DIÁRIO, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Área da Saúde (SindSaúde), Cleidinir Francisca, falou sobre os principais desafios do profissional durante a pandemia, como a escassez de material e equipamentos.

Dificuldade do profissional

Durante entrevista exclusiva, a profissional da saúde e presidente do SindSaúde disse que os trabalhares estão com carga dobrada. “O profissional do Amazonas nunca trabalharam tanto quanto hoje nos hospitais, tentando salvar vidas, são guerreiros e a pandemia veio revelar para a população a precariedade na estrutura do sistema público de saúde, que sempre foi”, revelou Cleidinir Francisca.

Despreparado

Com a pandemia que afetou o Amazonas e o mundo ficou evidente o despreparo da gestão. “Pegou despreparado todas as unidades de saúde e hospitais do Amazonas, pois, muitas das vezes, o profissional tira do próprio bolso porque não tem uma estrutura adequada. Muitos se contaminaram e morreram por falta de EPIs adequados. As máscaras cirúrgicas tem a durabilidade de, no máximo, duas horas para o cenário que estamos”, disse a presidente do SindSaúde.

Escassez

Por causa da alta carga de trabalho com novos pacientes infectados e escassez de material, os profissionais da saúde estão esgotados. “Eles estão com medo de levar o vírus para casa e afetar a família. Nós vemos a quantidade de pessoas chegando nas unidades de saúde, a alta carga de trabalho e ainda não teve o aumento no número de profissionais para atender a demanda. Muitos me dizem que lutaram muito pelo seu trabalho, mas que já estão a ponto de desistir. Os enfermeiros, por exemplo, estão há anos aguardando reajuste salarial e melhorias. Apelamos ao governo do Estado, porque eles (profissionais) estão tão sobrecarregados que pensam em parar”, explicou Cleidinir.

Virada do ano

Recentemente o Ministério da Saúde e o ministro da pasta, Eduardo Pazuello, enviaram, na virada do ano, cerca de R$ 25 milhões para ações de combate a Covid-19 em Manaus. Além disso, foram enviados mais 100 respiradores, 80 monitores e R$ 11 milhões destinados para a cardiologia do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio.

Tem dinheiro

No ano de 2020, antes do vírus chegar ao Amazonas, a receita total do governo, estimada nos orçamentos fiscais e da seguridade social, era de R$ 18,7 bilhões. Mas, mesmo com a pandemia que afetou a economia, a receita final apurada em dezembro foi de R$ 22,5 bilhões, sendo cerca de R$ 3,7 bilhões a mais nos cofres públicos. Ora, o que não falta é dinheiro! Falta gestão, planejamento de ação do governo de Wilson Lima para salvar vidas.

*Jornalista e apresentador do AMAZONAS DIÁRIO

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