Dinheiro dos respiradores foi enviado para empresa de fachada no exterior e documentos são queimados na SES

PF, em conjunto com Interpol, descobriu que recursos destinados ao combate do novo coronavírus no AM estavam sendo enviados para empresa de fachada no exterior

Manaus – O corre-corre na Secretária de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) está grande. De acordo com uma fonte que pediu para não ser revelada, documentos da secretaria estão sendo queimados numa possível destruição de provas. A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Interpol, descobriu que os recursos destinados ao combate do novo coronavírus no Amazonas estavam sendo enviados para uma empresa de fachada no exterior.

Queima de provas

Após a deflagração da Operação Sangria no Amazonas que investiga a compra de respiradores pulmonares superfaturadas pelo Governo do Amazonas em uma loja de vinhos, uma fonte revelou que pessoas, dentro da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), estão em um corre-corre queimando documentos. “Lá na secretaria de saúde, estão queimando provas que possam incriminar mais ainda por causa da operação da Polícia Federal. Então, documentos que possam ser utilizados estão sumindo de lá, isso porque estão com medo de uma nova deflagração da Operação Sangria”, revelou a fonte.

Superfaturamento

A compra dos respiradores pulmonares foi superfaturada e a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) comprou os equipamentos para serem utilizados no combate ao novo coronavírus no Estado de uma outra empresa, a Sonoar, que já vendeu os aparelhos para a FJAP Ltda, a loja de vinhos, com valores elevados. Foram milhões desviados da saúde pública. Considerando que o sobrepreço praticado em cada unidade dos respiradores corresponderia a R$ 60,8 mil, o valor do superfaturamento totaliza a quantia de pelo menos R$ 1,7 milhão até R$ 2,1 milhões.

Exterior

A Sonoar comprou os respiradores por R$ 1,1 milhão e vendeu para FJAP Ltda por R$ 2,48 milhões. Após a FJAP Ltda revender ao Governo do Amazonas por R$ 2,97 milhões e receber o dinheiro, a FJAP Ltda enviou a quantia de R$ 2,2 milhões, cerca de US$ 525 mil, por meio de operação cambial, para a empresa Jalusa Corporation, que havia vencido uma licitação da SES-AM para compra de respiradores que não chegou a ser efetivada.

Investigações

A Polícia Federal (PF) em conjunto com a Interpol, descobriu que verbas públicas destinadas ao Governo do Amazonas para o combate de Covid-19, provenientes de venda dos respiradores pulmonares foi enviada a uma empresa no exterior. A Jalusa Corporation que recebeu o dinheiro é de fachada pois tem um endereço residencial e por isso, há indícios de possível prática de crime de lavagem de dinheiro.

Operação Sangria

As investigações da Polícia Federal identificaram desvio de recursos destinados ao combate a peste chinesa e lavagem de dinheiro. De acordo com o delegado de investigação e combate ao crime organizado do Amazonas, Henrique Albergaria, a Jalusa Corporation recebeu parte do dinheiro da venda dos respiradores. “Foi possível efetivamente verificar que a empresa do exterior é de fato, de fachada, porque o endereço dela é residencial e foi para onde o dinheiro foi enviado”, disse em coletiva de imprensa.

Anúncio