Empresário preso pela PF por desvio na Saúde vai receber R$ 1,5 milhão do Governo do Amazonas

Será que não existe uma empresa que possui contrato no Amazonas que não tenha sido ou seja investigada?

Manaus – No meio das farras de licitações, contratos e pagamentos realizados pelo Governo do Amazonas, identificamos um que chama atenção pelo valor e também pela empresa favorecida. O Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado vai pagar mais de 1 milhão e meio de reais para empresa que já foi alvo da Polícia Federal que investigou a peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Será que não existe uma empresa que possui contrato no Amazonas que não tenha sido ou seja investigada?

Hospital

Em pesquisa no Portal da Transparência do Amazonas, encontramos a Nota de Execução de Despesa emitida no dia 31 de maio deste ano, pelo Governo do Amazonas através do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado em favor da empresa Bento Martins de Souza ME, no valor de R$ 532.287,46. Segundo a nota, o pagamento é “referente a despesa de exercício anterior, relativo a prestação de serviço de fornecimento de alimentação preparada no H.P.S Dr. João Lúcio Pereira Machado no mês de outubro de 2019, conforme RD nº 60/2021”, consta.

Alimentação

Outra Nota de Execução de Despesa foi emitida no mesmo dia, em 31 de maio deste ano, mas no valor de R$ 515.893,26, pelo Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio Pereira Machado para a Bento Martins de Souza ME. O serviço dos dois pagamentos emitidos, segundo a nota, não se aplica a licitação. Mas, segundo a descrição do documento, o pagamento é referente a despesa do exercício anterior “no mês de agosto de 2019, conforme RD nº 59/2021”, cita.

Polícia Federal

Em uma pesquisa na internet, é possível identificar que a empresa Bento Martins de Souza ME que vai receber mais de R$ 1,5 milhão já foi alvo de investigação da Polícia Federal (PF). Em 2019, no mesmo ano em que os serviços foram prestados, a PF deflagrou a Operação Eminência Parda que resultou na prisão de empresários, entre eles o proprietário da empresa contemplada com Nota de Execução de Despesa emitida no último dia 31 de maio.

Organização Criminosa

A Operação Eminência Parda da Polícia Federal investigou a prática de crimes de peculato, lavagem de dinheiro de capitais e organização criminosa. De acordo com PF, antigas práticas de fornecedores envolvidos em esquemas ilícitos se mantêm ativas. No início de 2019, foi assinado dois contratos no valor de R$ 32 milhões com a G.H. Macário Bento e com a Bento Martins de Souza Eirelli. Na época, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) mandou suspender a assinatura do contrato com as empresas.

Esquema

Na ação da PF, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva contra os empresários, um mandado de prisão temporária contra a funcionária da empresa, 16 mandados de busca e apreensão e sete mandados de bloqueio de contas que chegaram a R$ 20 milhões. Durante as buscas, R$ 79 mil em espécie foram apreendidos pelas equipes. Na época, as investigações apuraram que a empresa do ramo de alimentos G. H. Macário Bento, era utilizada para desvios de verbas públicas destinadas a saúde. Os valores eram desviados do Instituto Novos Caminhos e entregues pelo médico Mohamed Mustafa, administrador da empresa.

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