Empresários presos na operação Sangria recebem mais de R$ 330 mil do Governo do AM

Empresários estavam com mandados de prisões temporários, com duração de cinco dias, e deixaram a prisão na segunda-feira (7)

Como diz o ditado “o crime não compensa”, mas no Amazonas, a aplicação é outra. Todos os dias retratamos nesta coluna que no estado, principalmente nesta gestão, tudo pode acontecer. Na última semana, a Polícia Federal prendeu o secretário de saúde e empresários na deflagração da Operação Sangria que investiga o desvio de recursos públicos. Dois empresários presos que possuem contratos na saúde, saem da cadeia com dinheiro no bolso, porque o Governo do Amazonas liberou diversos pagamentos para as empresas que possuem contratos em diversos hospitais da capital.

Operação

No dia 2 de junho, a Polícia Federal (PF) deflagrou a quarta fase da Operação Sangria que investiga se funcionários da secretaria da saúde, fizeram contratação fraudulenta para favorecer grupo de empresários locais para fazer um hospital de campanha, sob orientação da cúpula do governo do Amazonas. Os cinco presos, secretário de saúde Marcellus Campêlo e os empresários Nilton Costa Lins Júnior, Sérgio José Silva Chalub, Frank Andrey Gomes de Abreu, Carlos Henrique Alecrim John, estavam detidos na capital. Já o empresário Rafael Garcia Silveira em Porto Alegre, onde reside. Todos estavam com mandados de prisões temporários com duração de cinco dias e deixaram a prisão na segunda-feira (7).

Contratos

No dia 8 de junho, o Governo do Amazonas por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), emitiu pagamento no valor de R$ 199,3 mil para serviços de apoio administrativo realizado pela empresa Prime Atividades de Apoio de Gestão de Saúde Ltda que tem como proprietário Rafael Garcia Silveira, preso na operação da Polícia Federal. No mesmo dia, outro pagamento foi emitido pela SES-AM em favor da empresa do investigado, no valor de R$ 86,6 mil.

Valores

Segundo o levantamento realizado por esta coluna, o empresário enquanto estava preso por causa das investigações da Polícia Federal, o Governo do Amazonas estava providenciando o pagamento dos seus contratos com a saúde pública. A Prime Atividades possui liquidado o montante de R$ 194.352,85, ou seja, em breve vai receber todo esse valor. No dia 8 de junho, logo após sair da prisão, recebeu o valor de R$ 285.991,00 dos cofres públicos em contratos com o Hospital Geraldo Rocha, Instituto de Saúde da Criança, Hospital Platão Araújo, Maternidade Balbina Mestrinho e Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio.

Vício

Um dos empresários que mais possuem ou faturaram em contratos com a saúde pública, é Sérgio Chalub, também preso pela Polícia Federal na Operação Sangria. Além disso, ele e Rafael, eram sócios na empresa Líder Serviços de Apoio a Gestão de Saúde Ltda, agora apenas de Chalub. Os dois foram denunciados diversas vezes nesta coluna e também alvos de investigação na CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

Pagamento

Um dia antes de ser preso, Sérgio Chalub, teve empenhado pelo Governo do Amazonas com a sua empresa, o montante de R$ 366.166,67 referente a serviços no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto. No dia em que saiu da prisão, teve empenhado R$ 50 mil do Pronto Socorro da Criança na zona sul. Neste mesmo dia em que deixou o Centro de Detenção Provisória Masculino I, recebeu a ordem bancária de R$ 53.330,57 por serviços na Fundação Adriano Jorge.

*Apresentador do programa Amazonas Diário

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