Escândalo: governo maquia número de leitos ocupados para abrir novo hospital de campanha

Segundo informações, a maioria dos pacientes que estão internados no Hospital Delphina Aziz está fora do período de transmissão, gerando o aumento da taxa de ocupação de leitos

Manaus – O Governo do Amazonas maquia a taxa de ocupação dos leitos no Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz para justificar os gastos com um novo hospital de campanha, de acordo com informações de uma fonte que pediu para não ser revelada e que trabalha na Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Segundo a fonte, a maioria dos pacientes que estão internados no Hospital Delphina Aziz está fora do período de transmissão, gerando o aumento da taxa de ocupação de leitos. Enquanto isso, pacientes aguardam em longas filas para realizar cirurgias e hospitais não possuem médicos e insumos suficientes.

Planos futuros

Com exclusividade, esta coluna denuncia o relato de um servidor da saúde que disse que o Governo do Amazonas “está pensando em criar novamente um hospital de campanha” e, para isso, estaria deixando que pacientes fora da fase de transmissão após a infecção por Covid-19 permaneçam no Hospital Delphina Aziz, já como uma justificativa para uma possível lotação da unidade e necessidade de criar um novo hospital de campanha. A permanência desses pacientes nas unidades específicas, para quem está contaminado ativamente pelo vírus, causa problemas em questão organizacional de casos que realmente necessitam de um ambiente fechado, mais seguro. “Isso gera um problema sério de ação da Organização Social (que administra o Hospital Delphina Aziz), já que a mesma está apta para atender mais de cem leitos não Covid. Porém a retaguarda da clínica está lotada nos hospitais e prontos-socorros (HPS)”, revelou a fonte.

Lotação dos HPS

Segundo a fonte, o número de pacientes gera uma superlotação e atraso no tratamento de outras doenças nos hospitais e prontos-socorros de Manaus. “Os HPS estão lotados de pacientes ortopédicos que passam em média 40 dias, pois a secretaria não tem um plano eficiente e definitivo para operar nos HPS. Estão tentando levar essa demanda para o Hospital Adriano Jorge, onde já são mais de 200 leitos até esta terça (20) com pacientes esperando cirurgia. Deste modo, não tem como rodar leitos, já que não saem cirurgias. Este problema é da pasta de políticas de saúde que não tem um plano efetivo”, desabafou a fonte.

Cirurgias

O Instituto Traumato-Ortopedia do Amazonas (Itoam), segundo a fonte, possui contratos limitados a dois cirurgiões por seis horas para cirurgias eletivas. “Tem limitação de salas cirúrgicas e possui salas fechadas por falta de equipamentos. Os Caics e Caimis estão funcionando sem contrato com empresas de manutenção de ar condicionados, limpeza e insumos”, afirmou.

Hospital de campanha

O relato do servidor comprova, mais uma vez, a desorganização na gestão das unidades de saúde e a distância do governador do Amazonas em relação as situações in loco. “Lembrando que além de tudo isso, ainda vem a abertura de um novo hospital de campanha. Não sei qual a base técnica para isso, já que temos 60 leitos aptos para pacientes clínicos no Hospital Geraldo da Rocha e eles estão em tratativa para execução deste projeto. Em resumo, tem que justificar o por que disso, se não temos lotação plena de Covid-19 no Hospital Delphina Aziz. Seria mais viável retirar os pacientes pós-transmissão e investir o dinheiro em estrutura, contratos de manutenção e equipamentos para as unidades”, sugeriu.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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