Ex-assessora de Alessandra Campêlo apontou Alencar como operador de Wilson Lima em compra superfaturada

Contratos e licitações rolaram soltos no governo e nas prefeituras

Manaus – Ex-assessora de Alessandra Campêlo apontou Alencar como operador de Wilson Lima na compra superfaturada de respiradores.

Com a pandemia de Covid-19, cerca de R$ 233 milhões foram injetados no Amazonas pelo governo federal e com a situação de calamidade pública decretada pelo governador Wilson Lima, os contratos e licitações rolaram soltos no governo e nas prefeituras. A ‘Operação Sangria’ foi deflagrada pela Polícia Federal para apurar desvios de recursos e corrupção na compra de 28 respiradores pulmonares pelo governo do Amazonas.

Ex-assessora da Alessandra Campelo

Após ser presa na operação Sangria da Polícia Federal, no dia 30 de junho, em depoimento Alcineide Figueiredo Pinheiro, ex-gerente de compra da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam), entregou o processo de negociação dos respiradores. Antes de assumir o cargo, Alcineide trabalhou como assessora parlamentar da presidente do impeachment do governador do Amazonas, deputada Alessandra Campêlo.

Compra articulada pelo governador Wilson Lima

Alcineia declarou que a compra superfaturada dos respiradores foi articulada pelo governador Wilson Lima. Em um sábado, dia 21 de março, ela foi chamada para a sala do secretário de saúde, na época Rodrigo Tobias, e lá estavam também o secretário executivo João Paulo Marques e ‘Alencar’, que foi enviado pelo governador para atuar como mediador entre a secretaria e os fornecedores durante a pandemia de Covid-19.

Alencar negociou os respiradores pulmonares

Guttemberg Alencar é empresário e militar da reserva da Polícia Militar, conhecido por circular entre políticos e empresários do estado há vários anos. Ele foi apontado em depoimento por comprar os respiradores para que o governo do Amazonas o pagasse depois, já que a Susam não tinha meios para comprar à vista. E que ainda, segundo Alcineide, não foi esclarecida a forma de pagamento por parte do Estado.

Proposta do exterior vetada

Ainda durante depoimento, foi citado uma pré-negociação com a empresa Jalusa com sede em Miami nos Estados Unidos e que inclusive, já teria sido pré-aprovada pela SeaCapital e o valor de cada respirador seria de $ 19 mil (cerca de R$ 95 mil). “Alencar afirmou que conhecia o responsável pela empresa, Rubens, que seria namorada da irmã dele e afirmou que depois telefonaria para Rubens mais que na época, a proposta mais recente era da Sonoar”, relatou a declarante. De acordo com Alcineide, Alencar fez o contato entre a Susam e as duas empresas suspeitas de participarem do esquema de fraude e superfaturamento na compra.

CPI da Saúde da ALE-AM

Investigações realizadas pelos membros da CPI da Saúde da Assembleia Legislativa do Estado (ALE) identificaram que um dos sócios da empresa Sonoar, responsável por fornecer os respiradores para a FJAP Ltda., a ‘loja de vinhos’ que revendeu os aparelhos ao Governo do Amazonas, é o médico Luiz Carlos Avelino Júnior, marido da secretária de comunicação e amiga do governador Wilson Lima, Daniela Assayag.

Superfaturamento de 300%

De acordo com a ‘Operação Sangria’ da Polícia Federal, a Sonoar comprou os respiradores por quase R$ 1,1 milhão e revendeu à FJAP Cia Ltda por R$ 2,48 milhões. A FJAP vendeu os aparelhos, sem licitação, ao governo do Amazonas por R$ 2,96 milhões. Toda essa operação de compra e venda foi realizada em um intervalo de duas horas e meia no dia 8 de abril. A Sonoar lucrou R$ 1,41 milhão e a FJAP lucrou R$ 496 mil.

*Apresentador do programa AMAZONAS DIÁRIO

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